Aena afirma que não abrirá seus aeroportos à cogestão e rejeita pressões políticas. O presidente Maurici Lucena comunicou aos acionistas, nesta quinta-feira em Madrid, que o modelo atual não prevê delegações de gestão a governos regionais. A mensagem busca proteger investidores.
Lucena destacou que o modelo de gestão permanece sob controle do Conselho de Administração, com cooperação apenas em nível consultivo ou de cooperação reforçada, conforme acordos com autoridades locais. Ele chamou as pressões políticas de estéreis para o futuro dos aeroportos.
Atenção aos números: a companhia projeta manter o payout de 80% do lucro, já anunciado no plano estratégico a ser apresentado até o fim do ano. Os resultados de 2025 mostraram crescimento significativo, apoiado por tráfego de passageiros e desempenho operacional.
Aena informou que, em 2025, registrou lucro líquido de 2,136 bilhões de euros e EBITDA de 3,785 bilhões. O grupo atendeu 385 milhões de passageiros, com 321,6 milhões no mercado espanhol, sem incidentes operacionais relevantes.
O regulamento tarifário é tema em debate: associações de companhias aéreas defendem queda de tarifas, enquanto a empresa propõe reajuste gradual para financiar investimentos. O terceiro Documento de Regulamentação Aeroportuária (DORA 3) está em fase final de aprovação.
Sobre as tarifas, Lucena afirmou que a regulamentação atual assegura competitividade e tarifas ajustadas. Ele ressaltou que cortes abruptos prejudicariam o plano de investimentos estimado em 10 bilhões de euros, com créditos de capital de 9%.
A empresa planeja reforçar presença internacional, mantendo foco em Brasil e Reino Unido, além de expansão recente com Galeão, Leeds e Newcastle. O objetivo é consolidar uma rede com base na Espanha, expandindo para outros mercados.
No âmbito ambiental, a Aena destacou redução de 74% nas emissões próprias desde 2019. A empresa também mencionou a futura operação da usina solar de Madrid-Barajas, de 142 MW, a maior planta solar em um aeroporto europeu.
Para 2026, a Aena prevê crescer o tráfego de passageiros na rede espanhola em cerca de 1,3%, estimando 326 milhões. A gestão enfatiza que o crescimento dependerá de fatores geopolíticos e da evolução regulatória.
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