O mercado de crédito privado no Brasil mostra, mais uma vez, que o momento do ciclo financeiro influencia os resultados. De 2017 a hoje, o índice IDEX, que reúne as debêntures mais líquidas, aponta um spread médio de 1,57% acima do CDI. O ganho atual é relevante mesmo com volatilidade.
Quem investiu nos picos de euforia, com spreads abaixo de 1,04%, teve retorno próximo ao CDI. Em contrapartida, quem aplicou nos momentos de estresse, após defaults de Americanas e Light, viu spreads acima de 1,82% e retorno médio de 4,73% acima do CDI.
Hoje, os spreads estão na média de 1,9%, impulsionados pelo default da Ambipar e pelas recuperações extrajudiciais de Raízen e Pão de Açúcar. Mesmo assim, o fluxo de caixa dos fundos de crédito mostra sinais de saques expressivos entre fevereiro e 10 de abril.
Panorama recente e fluxos de saída
Segundo a JGP, fundos com mais de 50% da carteira em crédito registraram saída líquida de 42 bilhões de reais no período. Em 2023, saques entre janeiro e maio chegaram a 51 bilhões, pressionando a rentabilidade.
A rentabilidade média das debêntures analisadas desde 2017 ficou em CDI + 1,04%. A afirmação acompanha a visão de que o crédito privado deve compor uma carteira equilibrada, com riscos gerenciáveis.
Neste ano, o retorno médio já ficou em 2,60% abaixo do CDI. A gestora atribui 0,4 ponto percentual desse recuo aos problemas de crédito; o restante decorre da marcação a mercado frente aos saques.
Em 2023, a performance foi afetada por Americanas e Light, com queda de 3,7 pontos na rentabilidade total do segmento. Ainda assim, as debêntures acompanhadas pelo IDEX somaram 10,2% frente a 13% do CDI no ano.
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