O Banco Central avaliou a tentativa de Daniel Vorcaro de comprar o Banco Máxima, que viraria Master, com recursos de origem atribulada. O foco da apuração foi a possível triangulação financeira entre Vorcaro, o próprio Máxima e fundos de investimento, em especial em 2019.
Relatórios obtidos pelo Valor indicam que, em dezembro de 2017, houve aporte de aproximadamente R$ 15,447 milhões do FGC para comprar participação no Máxima. A transação envolveu transferências entre o banco, empresas de Vorcaro e fundos de investimento.
Os documentos mostram que, no primeiro pleito, o BC rejeitou a aquisição por falta de comprovação da origem do dinheiro e por dúvidas sobre a capacidade financeira de Vorcaro. A gestão anterior, sob Ilan Goldfajn, aponta sinais de que parte dos recursos teria origem no próprio Máxima.
Contexto financeiro e origem dos recursos
O voto 20/2019, assinado por Sidnei Corrêa Marques, ressalta que a maior parte dos recursos para a compra teria origem no Banco Máxima, por meio de transferências entre a instituição, empresas ligadas a Vorcaro e fundos de investimento. A avaliação apontou aportes de capital de 2019 totalizando cerca de R$ 100 milhões.
Na avaliação sobre capacidade financeira, o BC revisou o acervo patrimonial de Vorcaro. A diretoria observou que projeções de caixa e laudos de investimentos já não haviam sido plenamente considerados na análise anterior, o que motivou nova avaliação pelo Deorf.
O segundo voto, de 2019, autorizou a compra do Máxima, mas o registro público não detalha integralmente a origem de todos os recursos, pois trechos com dados bancários e fiscais permanecem sob sigilo. As informações disponíveis indicam que a apropriação de recursos foi reavaliada pela autarquia.
A documentação mostra que, no período, houve valorização de ativos de empresas ligadas a Vorcaro, com ganhos que financiaram aportes no Brazil Realty, fundo ligado à operação de participação no Máxima. O processo também envolve a atuação do fundo Viking Participações, relacionado a ativos de Vorcaro.
A atuação do BC gerou debate sobre reputação e capacidade de Vorcaro. Embora tenha sido aprovado para atuar como diretor na instituição, o histórico passou a ser avaliado com maior rigor, especialmente diante de denúncias externas ao âmbito regulatório.
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