Dois em cada três brasileiros (67%) possuem algum tipo de dívida financeira, segundo pesquisa Datafolha divulgada neste sábado. O levantamento aponta também que 21% estão com pagamentos em atraso, evidenciando a inadimplência em alta.
Entre quem recorreu a empréstimos com amigos e familiares, a proporção que declara estar devendo sobe para 41%. Cartão de crédito parcelado lidera os débitos em atraso, citado por 29% dos entrevistados, seguido de empréstimos bancários (26%) e carnês de lojas (25%).
O uso do crédito rotativo no cartão chama atenção: 27% usam com frequência, 5% de forma recorrente. O rotativo é apontado como o crédito mais caro, com juros médios de 14,9% ao mês, segundo o BC, e limite anual de 100% desde 2024.
Processo de endividamento e faturas em atraso
Levantamento aponta que 28% das famílias estão com contas de consumo e serviços em atraso. Entre os débitos aparecem telefone, celular e Internet (12%), tributos como IPTU, IPVA e carnê-leão (12%), além de luz (11%) e água (9%).
A pressão financeira impacta o dia a dia: 64% reduzíram gastos com lazer, 60% passaram a comer menos fora ou trocaram marcas por opções mais baratas, e 52% reduziram a quantidade de alimentos comprados.
Impactos no orçamento e hábitos de consumo
Metade dos brasileiros reduziu o consumo de água, energia e gás; 40% deixaram de pagar alguma conta e 38% interromperam pagamentos de dívidas ou cortaram compras de medicamentos.
O nível de aperto financeiro aponta 27% em situação “apertada” e 18% em condição “severa”, somando 45% sob forte pressão. Outros 36% estão em moderado, e 19% em área leve ou sem restrições.
Contexto nacional e percepção
Sobre preocupações pessoais, 37% citam problemas com dinheiro, renda ou endividamento. A resposta mais frequente foi relacionada a finanças, com 27% mencionando falta de dinheiro.
Entre a prática do crédito, 57% usam cartão, 13% parcelam supermercado e 4% contas básicas com ele. Além disso, 68% concordam que ofertas digitais estimulam gastos por impulso.
A organização financeira é fragilizada: apenas 44% costumam fazer orçamento detalhado; 23% não controlam gastos. Ausência de reserva é comum: 66% não têm poupança, e 12% teriam menos de três meses de despesas para eventualmente manter o nível.
Dados do estudo indicam que 49% da população se sente mal ou muito mal com a situação financeira do país. A Datafolha ouviu 2.002 pessoas com 16 anos ou mais em 117 municípios, nos dias 8 e 9 de abril. Margem de erro de dois pontos percentuais.
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