A Tork Capital anunciou o encerramento de suas atividades na semana passada, encerrando fundos com cerca de R$ 600 milhões em ativos sob gestão. O fechamento ocorre em um momento de ambiente desafiador para gestoras de ações, especialmente para estratégias long-only e de equity hedge.
Fundada em julho de 2018 por Marcelo Magalhães e Murilo Arruda, a Tork buscava value investing com viés macro. Magalhães vinha de passagens por Investidor Profissional e M Square; Arruda já havia trabalhado na M Square e em 2024 fundou a Morada Capital, após sair da Tork em 2021.
A gestora lançou três fundos equity hedge em 2025, totalizando menos de R$ 20 milhões em captação, segundo fontes do mercado. Com isso, o braço de gestão não atingiu nível de rentabilidade necessário para operar de forma lucrativa.
Cenário do mercado e impactos
O fechamento ocorre num contexto de Ibovespa em queda relativa a um ano atrás, impulsionado por fluxo estrangeiro concentrado em índices. Entre janeiro e março, saques em FIAs chegaram a 6,4 bilhões; em 12 meses, soma de R$ 25 bilhões.
A participação externa na bolsa brasileira aumentou, chegando a 62% neste ano, enquanto a fatia de investidores locais recuou. Dados de mercado apontam que, em 12 meses, menos da metade dos fundos long-only superou o Ibovespa.
Gestores apontam que a volatilidade recente e a dificuldade de prever movimentos de fluxo externo tornaram desafiadora a superação do índice. Alguns defendem que ETFs podem oferecer alternativas com menores custos de gestão.
A Tork informou que coordena o fechamento com os administradores dos fundos e que pode realizar assembleias de cotistas, se necessário, para alinhar o encerramento das operações.
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