Durante o feriado prolongado de Tiradentes, moradores do Leblon protestaram contra a chegada de um novo empreendimento na rua Almirante Guilhem, na chamada quadríssima. Cartazes acusam que o bairro estaria sendo destruído pela transformação urbana.
O projeto é da Mozak Engenharia. As unidades previstas vão de 32 a 77 metros quadrados, bem menores que a média local de cerca de 200 m² por apartamento. O início das ações de mobilização ocorreu em setembro de 2025, com o movimento batizado de revolta das Helenas.
Os manifestantes questionam o uso de imóveis menores para aluguel de curta duração, semelhante ao modelo de plataformas como AirBnb. A preocupação é de descaracterização do bairro, tradicionalmente composto por moradores de longa data.
Mesmo com a resistência, o empreendimento já comercializou diversas unidades, com valores entre 1,7 milhão e 4 milhões de reais. O objetivo é atender a demanda associada à hospedagem, em um mercado imobiliário do Rio com alta procura turística.
Dados da Secretaria Municipal de Turismo estimaram, em março, ocupação hoteleira média de 85% na cidade. Durante o carnaval, a ocupação no município atingiu 99,02%. Esses números reforçam o peso da demanda turística na capital.
Analistas destacam que o Leblon passa por modernização com novos imóveis, mantendo o charme da região. A mudança é vista por alguns como necessária para acompanhar o fluxo de visitantes e investimentos.
A disputa entre moradores e desenvolvedores evidencia tensões entre preservação de identidade local e dinamismo imobiliário. O que fica claro é a continuidade do processo de transformação urbana no Leblon.
Entre na conversa da comunidade