O relatório da Polícia Federal (PF) aponta que MC Ryan SP usava a indústria musical para lavar dinheiro obtido em rifas e apostas ilegais. A operação Narco Fluxo resultou na prisão de 33 pessoas em 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão em oito estados e no Distrito Federal.
Segundo a PF, a indústria fonográfica teve papel central no esquema, misturando valores lícitos e ilícitos por meio de cachês, despesas de shows e pagamento de royalties. Parte dos recursos entrava nas contas das empresas do artista com origem nas atividades ilegais, como apostas clandestinas, financiando a estrutura de produção e a equipe.
Desdobramentos da investigação
A Justiça converteu as prisões de Ryan, Poze do Rodo e outros investigados de temporárias para preventivas, mantendo o prazo indefinido. A decisão aponta que o grupo operava como uma instituição financeira clandestina, com redes de apoio, empresas de fachada e laranjas para ocultar as operações.
A PF detalha o papel de Rodrigo Morgado, contador do grupo, que gerenciava transferências, proteção patrimonial e repasses, incluindo dados obtidos a partir de backups do iCloud. Também houve apreensão de bens como carros, joias, relógios e valores em espécie, com bloqueio de até R$ 1,63 bilhão e de criptomoedas em várias corretoras.
Envolvidos e atuação
MC Ryan SP é apontado como líder e principal beneficiário econômico, segundo a decisão, usando empresas de produção musical para mesclar receitas legais com recursos das apostas. O relatório descreve estratégias de blindagem patrimonial e uso de terceiros para disfarçar a origem do dinheiro.
MC Poze do Rodo aparece vinculado a empresas ligadas às transações financeiras da organização, incluindo a EMPOZE. Ele foi preso no Rio de Janeiro e pode responder por lavagem de dinheiro, associação criminosa e evasão de divisas. A investigação cita ainda influenciadores que divulgavam as apostas e rifas para melhorar a imagem pública do grupo.
Neste contexto, o material apreendido inclui itens de alto valor e dispositivos eletrônicos, além de um colar com a imagem de Pablo Escobar encontrado na residência de Ryan. A PF também ampliou o acesso a dados de nuvem e dispositivos para aprofundar o rastreamento da organização.
Entre na conversa da comunidade