O Brasil atraiu mais de US$ 5 bilhões de investimentos de investidores globais neste ano, segundo levantamento do NeoFeed. O fluxo está concentrado principalmente em estratégias líquidas e passivas, como ETFs, ao passo que fundos locais ganham menor parte desse registro.
Apesar do saldo positivo, o interesse não se traduz em aposta direta e contínua no Brasil. Gestoras internacionais privilegiam diversificação com exposição ao mercado brasileiro dentro de uma alocação global, mantendo cautela sobre fundamentos de curto prazo.
A imagem externa do país continua favorável a capital externo via veículos listados, que oferecem liquidez e escala. Entre gestores globais, a BlackRock lidera captando demanda por ações brasileiras em formatos usuais de acesso a emergentes.
Mas a preferência atual não é por alfa local. Investidores buscam beta eficiente, com foco em liquidez, praticidade e custos baixos, o que favorece grandes ETFs em detrimento de seleção ativa de gestores.
Ao mirar teses alternativas, estrangeiros já investem em áreas como infraestrutura, mineração, commodities e ativos reais. Rússia e China aparecem menos atrativas para quem busca estratégias mais estáveis e descorrelacionadas.
Entre os players com passagem já consolidada, há relatos de aumento no interesse de endowments e family offices. A Brunel Partners aponta captações relevantes para fundos de gestoras brasileiras e coinvestimentos, somando quase US$ 60 milhões em operações recentes.
Para os próximos meses, há pipeline estimado entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões em fundos e clubes de investimento voltados à infraestrutura, minerais críticos, crédito e special situations na América Latina.
Profissionais de ventas internacionais afirmam que fundos de pensão internacionais devem chegar mais tarde, com entrada gradual conforme amadurece a compreensão sobre oportunidades locais. Enquanto isso, a demanda permanece por produtos simples, com menor correlação a EUA e Europa.
A Capital Strategies, terceira parte europeia, observa demanda por ativos descorrelacionados, incluindo fundos de arbitragem, frontier markets e ativos reais. O Brasil aparece como polo para infraestrutura, energia, ativos reais e situações especiais.
Relacionamentos mais antigos entre investidores globais e gestores brasileiros facilitam entradas em estratégias de renda fixa ativa em reais, estruturadas em veículos UCITS. O interesse se volta principalmente para investidores institucionais globais, como seguradoras e fundos de pensão.
A Bradesco Asset tem reforçado a presença internacional com uma plataforma UCITS em Luxemburgo, consolidando a atuação de renda fixa brasileira dentro de veículos de alcance global. Em 2024, a estratégia foi ampliada para sustentar o movimento de internacionalização do banco.
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