No Brasil, ETFs de renda fixa têm potencial, mas dependem de evolução regulatória. Em evento promovido pela B3 no Rio de Janeiro, nesta terça-feira (28), Danilo Gabriel, sócio da XP Asset, afirmou que a autorização da CVM para fundos de gestão ativa é fundamental para o avanço do setor.
Atualmente, o País tem cerca de R$ 4,4 trilhões em fundos de renda fixa, mas apenas R$ 47 bilhões em ETFs desse segmento. Os ETFs permitidos seguem apenas índices de referência de forma passiva, enquanto a gestão ativa aguarda a sinalização regulatória da CVM.
O executivo ressaltou a experiência dos EUA, onde ETFs de renda fixa cresceram e hoje respondem por cerca de 17% da classe, com US$ 2,3 trilhões. No Brasil, o desafio é oferecer instrumentos que facilitem o balanceamento de vencimentos, indexadores e emissores, sem dificuldades na saída do investimento.
Gabriel apontou que o mercado brasileiro é fragmentado, com muitos produtos que confundem o investidor comum. Também destacou o que chamou de “caos tributário”, envolvendo tabela regressiva, isenções de LCIs/LCAs e o come-cotas, que reduz a atratividade de renda fixa tradicional.
Outro entrave é a transparência: muitos títulos são marcados na curva sem atualização diária de preços, o que dificulta o acompanhamento. O investidor só percebe o problema quando precisa do dinheiro diante de um evento de crédito.
Como alternativa, os ETFs aparecem como solução simples e de baixo custo, com incidência de imposto apenas na venda das cotas e taxas de administração menores que a média de fundos de renda fixa. Dados da B3 indicam o crescimento de índices para ETFs no Brasil nos últimos anos.
Progresso regulatório
Segundo a B3, o número de índices criados para ETFs no país aumentou de 25 em 2020 para 37 em 2023, chegando a 55 ao fim de 2025. A agenda regulatória da CVM aponta a possibilidade de aprovação de gestão ativa, ainda sem previsão de conclusão. A mudança seria um marco para ampliar ofertas e competir com mercados mais desenvolvidos.
Perspectiva de crescimento
Em meio ao cenário desafiador, Gabriel destacou o potencial de ampliação da base de ETFs de renda fixa no Brasil, com foco em maior eficiência de carteiras e maior clareza para o investidor. A experiência de mercado externa sugere caminhos para evolução, conectando oferta de ativos, tributação e transparência.
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