O preço do níquel deve permanecer elevado em 2026, devido à redução prevista na produção da Indonésia e ao interrupção no fornecimento de enxofre causado pela guerra com o Irã. Analistas da S&P Global Energy destacam que esses fatores sustentam a remuneração do metal, essencial para aço inoxidável e baterias.
A Indonésia está avançando com cortes de produção de 379 milhões de toneladas em 2025 para cerca de 270 milhões de toneladas neste ano, conforme divulgação do Ministério da Energia no início de abril. O país é o maior produtor mundial de níquel.
O repique recente nos contratos de três meses na LME acompanha a elevação de preço para cerca de US$ 19.385 por tonelada, próximo da máxima em dois anos. A intervenção no Estreito de Ormuz reduziu o fornecimento de enxofre, ingrediente crítico no processamento do minério.
Produção na Indonésia e impactos operacionais
A indústria local depende fortemente de do enxofre importado, o que aumenta a vulnerabilidade de abastecimento. A Indonésia importa grande parte do enxofre utilizado em fundições HPAL, necessários para converter o minério em MHP, via processos de lixiviação ácida de alta pressão.
Jomar Camposano, analista da S&P, aponta que 96% do enxofre da Indonésia é importado para fundições HPAL, com 77% vindo do Oriente Médio. Esse padrão de suprimento amplia o risco de interrupções e pressões sobre os preços do níquel.
A S&P já previa alta de 14,6% no preço médio do níquel para 2026, antes mesmo do conflito com o Irã. O relatório indica que o mercado enfrentava desequilíbrios entre oferta e demanda, com expectativa de pressão moderada até 2031.
Samantha Beh, da equipe de preços de metais não ferrosos da S&P, destaca que o níquel atingiu recorde em março após ajustes na fórmula de referência de preços na Indonésia, que passou a considerar subprodutos como cobalto, ferro e cromo.
A previsão é de que o excesso de oferta animate o mercado nos próximos anos, com aumento de preços moderado até que a demanda se iguale à oferta por volta de 2031. As avaliações enfatizam a necessidade de monitorar o fluxo de enxofre.
Bisman Bakhtiar, diretor do Centro de Estudos de Direito de Energia e Mineração em Jacarta, ressalta que o corte de produção impõe limitações aos produtores, dificultando aumentos rápidos de receita diante do decreto governamental.
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