O uso da inteligência artificial generativa no recrutamento tem aumentado a complexidade dos processos seletivos no Brasil. Um levantamento da consultoria Robert Half mostra que 66% dos gestores de contratação atribuem à IA o crescimento de currículos falsos ou inflados, tornando a avaliação mais difícil.
Apesar do cenário, a maioria das empresas ainda não estruturou respostas. O estudo aponta que 70% dos gestores não implementaram medidas específicas para lidar com os riscos da IA nos processos de seleção, elevando o desafio da triagem.
A automatização da personalização de currículos também impacta a etapa de seleção. Quase a metade dos entrevistados (49%) diz que a IA amplia o número de candidatos não qualificados, e 45% afirmam que facilita a criação de identidades profissionais falsas, aumentando o risco de contratações inadequadas.
Medidas de avaliação ganham espaço
Para contornar as dificuldades, as empresas vêm adotando processos de avaliação mais rigorosos, com entrevistas aprofundadas e validação prática de experiências. A ideia é cruzar a análise documental com testes de competências, segundo o estudo.
Mantovani ressalta que a IA, usada com critérios adequados, pode apoiar candidatos na organização de informações e no refinamento de currículos, sem substituir a vivência profissional. A escolha final depende da demonstração de habilidades na prática.
Detalhes metodológicos
O estudo é composto por três pesquisas realizadas no Brasil, com gestores e profissionais de diferentes setores e portes. Duas pesquisas integram o Índice de Confiança Robert Half (ICRH), com 387 gestores de contratação e 387 trabalhadores cada uma. A terceira base envolve 500 gestores de áreas como finanças, TI, jurídico e engenharia.
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