Em meio a tensões geopolíticas, ações de defesa voltaram a ganhar atenção no mercado. Logo após o início dos conflitos entre EUA e Irã, no fim de fevereiro, papéis da AeroVironment tiveram alta de cerca de 18% em um pregão, e a L3Harris subiu aproximadamente 14%.
Entretanto, os ganhos não se sustentaram. Do grupo que teve valorização inicial, as lojas de ações acumularam perdas de 22% e 12% desde o início dos choques, respectivamente. A Lockheed Martin, maior fornecedora do Departamento de Defesa dos EUA, avançou 11,5% mas acumulou queda de 21,6% com as oscilações das negociações.
Movimentos de curto prazo e riscos
Especialistas destacam que esses ativos não representam proteção tradicional. Servem mais como aposta pontual dentro de uma estratégia de diversificação. Bloco de ações de defesa tem, ainda, efeito secundário de sensibilidade ao orçamento militar, sobretudo o americano, que é o maior do mundo.
Para Bruno Shahini, da Nomad, o movimento tem duas camadas: tático e estrutural. O analista aponta que o aumento do orçamento militar americano tende a favorecer as empresas do setor, ainda que os ganhos atuais não garantam continuidade.
Visão de curto prazo
William Castro Alves, da Avenue, ressalta que houve rally inicial em março com a intensificação dos conflitos, com altas de 3% a 6% em dias específicos. No entanto, o impulso perdeu força nas semanas seguintes, conforme notícias sobre o cenário evoluía.
Segundo os especialistas, o comportamento se aproxima da lógica buy the rumor, sell the news: preços sobem antes de confirmar eventos e recuam com a materialização dos fatos. Isso influencia a leitura de fundos que investem no setor.
Perspectivas de longo prazo
Análises apontam que o desempenho das ações de defesa está ligado à expectativa de receitas futuras e à expansão de múltiplos. Dados do ETF.com indicam que o aumento de lucros não acompanha os ganhos de preço, evidenciando uma valorização impulsionada pelo sentimento de mercado.
Apesar do interesse, não se recomenda tratar o setor como proteção universal. A volatilidade inerente às ações, o peso do orçamento público e a dependência de avanços tecnológicos limitam a função de hedge, em comparação com ativos como ouro ou dólar.
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