Mais de 257 mil contribuintes ficaram na malha fina do Imposto de Renda 2026 por causa de problemas no novo sistema da Receita Federal. A mudança afetou o modelo de envio e o cruzamento de informações, elevando também o total de declarações retidas por inconsistências para mais de 1 milhão até 23 de abril. O índice chegou a 6,96% do total enviado, ante 5,22% no mesmo período do ano anterior.
O órgão Federal classifica o aumento como dentro de um padrão administrável, apesar de o patamar ter subido. A maior parte das retenções está relacionada à transição para o novo formato de coleta de dados, segundo a Receita. A instituição aponta que o efeito deve diminuir conforme fontes pagadoras corrigirem divergências.
O que mudou no preenchimento das informações
A Receita alterou a forma de coletar dados para as declarações pré-preenchidas. Com a migração, muitos contribuintes encontraram informações divergentes em relação aos informes de rendimentos. A divergência entre dados enviados pelas empresas e o que consta na declaração pode manter o contribuinte na malha fina.
A Dirf, documento que consolidava dados para o IR, foi extinta em 2024. A partir de 2025, as informações passaram a vir do eSocial e da EFD-Reinf, com envio mensal pelas empresas. Isso tornou o preenchimento das bases de dados mais complexo e passível de ajustes.
Impactos para trabalhadores e empresas
Contribuintes indicam transtornos com a nova sistemática. Embaixadores relatam pendências mesmo após consultar o informe de rendimentos, o que gerou necessidade de retificações. Empresários ouvidos afirmam que houve aumento de horas dedicadas à conferência de dados pelas equipes de RH e contabilidade.
Especialistas apontam que o eSocial e a EFD-Reinf possuem prazos específicos e requerem atualizações frequentes. A dificuldade de localizar onde ocorreu o erro quando o sistema da Receita aponta divergência também é mencionada por contadores e dirigentes de entidades de classe.
O que diz a Receita e o que cobram o setor
A Receita informa que o novo sistema exige maior precisão e que erros são esperados durante a transição. A instituição afirma que as empresas têm se ajustado e enviado retificações com regularidade. Ainda assim, entidades do setor defendem um período de transição para mapear problemas antes de adoção plena.
Críticos ressaltam a necessidade de manter a Dirf em paralelo por um tempo para identificar divergências e aprimorar procedimentos. Também pedem melhoria na atualização das bases de dados e em ferramentas de conferência de informações para reduzir burocracia.
O que fazer em caso de divergência
Quem ainda não entregou a declaração deve conferir o informe de rendimentos. Caso os dados estejam alinhados, não é preciso ação imediata. Se houver diferença entre o IR e o informe, o trabalhador deve solicitar a correção junto à fonte pagadora.
Caso a empresa emita um novo informe, o contribuinte precisa fazer uma declaração retificadora. Se o empregador corrige os dados, a declaração sai da malha fina automaticamente em até uma semana.
Com informações de reportagens publicadas em 17/05/2025, a matéria reforça a necessidade de acompanhar orientações oficiais da Receita, bem como de manter diálogo transparente entre empresas, trabalhadores e órgãos reguladores.
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