Franca, SP, se mantém como um dos principais polos da indústria de calçados do Brasil, com cerca de 650 indústrias e produção anual entre 30 milhões e 35 milhões de pares. O segmento de calçados masculinos de couro é destaque, com exportações para Estados Unidos, Europa e América Latina.
Segundo o Sindifranca, o setor movimenta entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2,5 bilhões por ano no município, entre vendas internas e exportações. Em 2025, as exportações somaram US$ 63,6 milhões; em 2026, o total apresentado pelo sindicato chega a US$ 7,94 milhões. Os Estados Unidos são o principal destino dos produtos, seguidos por países da América Latina e da Europa.
Para o presidente do Sindifranca, Franca mantém papel central na economia do setor e segue relevante para o cenário nacional. O setor calçadista é apontado como vetor econômico regional, com especial importância no segmento de couro, mesmo em meio a desafios de competitividade global.
Origem histórica impulsiona indústria calçadista e consolida liderança de Franca
A trajetória econômica de Franca remonta ao século XIX, quando a cidade surgiu como ponto de apoio no trajeto a Goiás. O café dominou o passado, até a industrialização acelerar a mudança para a produção em escala.
A expansão ganhou impulso nas décadas de 1960 e 1970, com a Calçados Samello iniciando exportação expressiva para os EUA. Em 1993, o setor atingiu o pico com 15,6 milhões de pares exportados e produção total de 31,5 milhões.
O reconhecimento oficial veio em 2012, com o selo de Indicação Geográfica para calçados masculinos de couro, conferido pelo INPI.
Franca apresenta indicadores econômicos e sociais elevados com centenas de indústrias
O PIB per capita de Franca ficou em R$ 40.777,87 em 2023, segundo o IBGE. No ranking de Morar Bem 2025 da Gazeta do Povo, a cidade está na 854ª posição entre 5.570 municípios, com nota 6,38.
O IDHM é de 0,780, pouco abaixo da média brasileira de 0,786, segundo o Pnud. O município figura entre as cinco melhores cidades do país em saneamento básico, conforme estudo do Trata Brasil. Em educação, o IDEB aponta 6,9 nos anos iniciais da rede pública.
A universidade local, com Unesp, Fatec e Uni-Facef, forma profissionais para a indústria e para serviços, fortalecendo o ecossistema regional.
Após queda, indústria calçadista projeta recuperação em 2026
No cenário nacional, o setor passou por retração recente: em 2025 houve queda de 1,9% na produção, para 847,5 milhões de pares, fruto de menor demanda externa e tarifas. As exportações também recuaram no segundo semestre.
No começo de 2026, o primeiro bimestre indicou queda de 11,1% na produção, com projeções de retração de 6,8% no 1º trimestre e 4,6% no 2º. A recuperação é prevista a partir de julho, com expectativa de variação entre +1,4% e -1,2%.
A economista Priscila Linck, da Abicalçados, aponta que a retomada virá com a recuperação do consumo interno e das exportações. Ela menciona, ainda, a reversão do desafio tarifário de 10% nos EUA como fator de recuperação da competitividade.
Entre na conversa da comunidade