O Mapa da Inadimplência da Serasa, divulgado nesta terça (5), aponta 82,8 milhões de pessoas inadimplentes em março, alta de 1,35% frente a fevereiro. O total de dívidas chegou a 338,2 milhões, com alta de 1,83%. O valor médio por pessoa é de R$ 6.728,51, 1,98% acima do mês anterior.
O estudo mostra que o peso da dívida por pessoa já supera o salário mínimo. O valor médio de cada débito é de R$ 1.647,64. A participação do setor financeiro na inadimplência subiu para quase metade do total, cerca de 47%.
Para Aline Maciel, diretora da Serasa, o aumento das dívidas bancárias reflete uma mudança estrutural no acesso ao crédito decorrente do maior nível de bancarização entre as classes D e E. Quase metade das dívidas está relacionada a bancos e cartões.
Cartão de crédito como principal alvo
Cerca de 73% dos inadimplentes possuem dívidas com cartão de crédito. Entre eles, 37% têm débitos superiores a R$ 10 mil e 36% convivem com essas pendências há mais de dois anos. O cartão é visto como uma extensão da renda durante o processo de inclusão financeira.
O crédito pessoal e empréstimos bancários também aparecem com peso relevante: 53% dos respondentes possuem esse tipo de dívida, e 50% devem mais de R$ 10 mil. Cheque especial e limite de conta afetam 33% dos inadimplentes, com 35% devendo acima de R$ 10 mil.
Desenrola 2.0: renegociação com foco em bancos e financeiras
Metade das dívidas está concentrada em bancos e financeiras, alvo do Desenrola 2.0, lançado pelo governo. A Serasa atua como canal de renegociação, reunindo ofertas no aplicativo e já reunindo 7,7 milhões de possibilidades.
Para 69% dos inadimplentes, o desconto é o principal atrativo para renegociar, seguido pela redução de juros (64%) e por opções de parcelamento (58%). A expectativa de renda maior aparece em 36% dos casos.
Especialistas avaliam que o programa ajuda temporariamente, mas não resolve o problema estrutural. Aline Maciel ressalta que juros ainda elevados dificultam impactos duradouros, enquanto Gambaro destaca que o Desenrola pode estabilizar a curva, sem invertê-la sozinha.
O Desenrola 2.0, voltado a quem tem renda de até cinco salários mínimos, oferece descontos entre 30% e 90% e segue em implementação com participação de bancos e financeiras.
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