O algodão orgânico do Piauí, o plástico reciclado de Minas Gerais e a borracha nativa do Acre se unem na fábrica no Rio Grande do Sul para fabricar os tênis Veja. A marca franco-brasileira celebra 20 anos com um modelo de negócio pautado por matéria-prima sustentável e relações de trabalho mais justas.
Este mês, Veja divulga o minidocumentário Longe dos Holofotes, no qual três pessoas de diferentes etapas da produção comentam o impacto de um comércio mais justo. A exibição será no Theatro São Pedro, em São Paulo, no dia 7, às 18h.
A Veja mantém operação com sede em Paris e cadeia produtiva no Brasil. O filme, segundo o fundador Sébastien Kopp, busca mostrar a realidade de quem produz, com menos foco na propaganda da marca. O objetivo é evidenciar trabalho, vidas e lutas.
A trajetória da Veja começou em 2004, após auditorias sociais no Brasil e em outros polos da indústria. A empresa diz pagar preços acima do mercado aos fornecedores, valorizando matérias-primas e salários. Em 2024, o salário médio na linha de produção foi de cerca de R$ 2.015.
Os tênis são vendidos com preço médio de aproximadamente R$ 700. Segundo Kopp, o valor reflete o processo de fabricação responsável, não sendo um produto de luxo, mesmo com o design simples e minimalista. O preço vai além do custo material.
A empresa opera com 600 trabalhadores diretos e mantém escritórios no Brasil, Europa, Ásia e Oceania. Em nota, a Veja aponta que apenas uma parcela reduzida dos clientes conhece a origem ética dos produtos.
O fundador afirma que a ausência de investimentos pesados em publicidade ajuda a manter o perfil discreto da marca. Mesmo assim, o modelo de negócio tem atraído interesse de observadores que acompanham o desenvolvimento de cadeias produtivas mais justas.
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