Bruno Serra, ex-diretor de Política Monetária do Banco Central (BC) e gestor da família de fundos Itaú Janeiro, afirma que a maior parte dos cortes da Selic devem ocorrer após as eleições, com o patamar de 11% previsto até meados de 2027. O cenário considera o impacto do choque do petróleo sobre a atividade econômica e a velocidade do ciclo de flexibilização.
Segundo Serra, o movimento do petróleo tende a restringir o ritmo de redução dos juros no início do novo ciclo, mantendo a Selic em patamares elevados por mais tempo. Ele avalia que o choque pode postergar o início efetivo dos cortes, mesmo diante do espaço apontado pelo Copom.
O BC cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,50%, na semana anterior, sinalizando serenidade para calibrar os juros com base em novas informações. A ata manteve o foco em combater efeitos de segunda ordem do choque do petróleo provocados pela guerra no Oriente Médio.
Cenário para a Selic
A expectativa é de que o grosso dos cortes ocorra após as eleições, com o ritmo de 0,25 pp por reunião ainda no radar. Serra afirma que o Copom pode pausar o processo caso a inflação de 2028 se mantenha pressionada pelo petróleo, retomando o ajuste apenas quando houver melhora das perspectivas.
A Focus aponta inflação de 2028 em 3,64%, ligeira alta frente a 3,61% calculado anteriormente. O ex-diretor destaca que, caso haja sinalização de disciplina fiscal após o pleito, o debate no mercado pode se concentrar em uma Selic final entre 8% e 9%.
A Itaú Asset Management informa que o Itaú Janeiro reduziu a exposição a juros futuros para cerca de um terço do nível anterior ao choque do petróleo. A posição vencedora ao longo de 2025 refletiu a percepção de mais espaço para cortes.
O fundo Itaú Janeiro detém aproximadamente R$ 25 bilhões em ativos sob gestão. A gestão verificada pela assessoria de imprensa da Itaú Asset enfatiza a posição vendida no dólar frente ao real, com perspectivas de apreciação limitada da moeda após o rali recente.
Entre na conversa da comunidade