Em 1981, um acidente aéreo nos Campos Gerais, no Paraná, dizimou a cúpula do Banco Bamerindus. O bimotor Piper Seneca II caiu durante o voo de Curitiba a Joaquim Távora, em condições de neblina e gelo na fuselagem. Entre as vítimas estavam o presidente Tomaz Edison de Andrade Vieira, o vice-presidente Cláudio Enoch de Andrade Vieira, três filhos de Cláudio e o piloto Dalton Nicoleti.
A liderança da instituição ficou com o único irmão remanescente, José Eduardo de Andrade Vieira, conhecido como “Zé do Chapéu”. Mesmo com vocação agrícola e política, ele assumiu a direção, expandiu a rede de agências e levou o banco a ser o segundo maior privado do país em 1990s.
O crescimento foi impulsionado pelo chamado float inflacionário: inflação alta, até 40% ao mês, permitia lucrar com a correção monetária ao movimentar dinheiro. A gestão, porém, negligenciou riscos e crédito em busca do ganho rápido.
Com o Plano Real em 1994, a inflação caiu e o lucro fácil desapareceu. O banco precisou voltar à concessão de crédito, enfrentando inadimplência alta. Investimentos em indústria, como a fábrica de papel Inpacel, também pressionaram o capital.
Em março de 1997, o Banco Central decretou intervenção no Bamerindus. A parte saudável foi vendida ao HSBC; ativos problemáticos entraram em liquidação extrajudicial. José Eduardo apontou retaliação política, enquanto a massa falida permaneceu até 2013, quando o BTG Pactual adquiriu os ativos remanescentes.
Conteúdo com informações apuradas pela equipe da Gazeta do Povo. Para aprofundar, leia a reportagem completa.
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