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Desempenho econômico de Lula 3 não se converte em popularidade

Desempenho macro sólido não se traduz em popularidade: inflação, endividamento e lembrança dos anos 2000 limitam a percepção de melhoria de vida

Manifestação pelo fim da escala 6x1 na praça Roosevelt, em São Paulo, no Dia do Trabalho - Eduardo Knapp - 1º.mai.26 / Folhapress
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O terceiro mandato de Lula apresenta resultados macroeconômicos sólidos, mas não se traduz em aumento de popularidade. Desemprego caiu aos menores patamares da série, e o PIB cresceu 2,3% em 2025, 3,4% em 2024 e 3,2% em 2023, acima das projeções.

Milhões de brasileiros saíram da extrema pobreza, ainda que 42% avaliem que a situação econômica piorou nos últimos seis meses. Apenas 27% disseram haver melhora, segundo pesquisa Ipsos-Ipec de março.

A discrepância entre desempenho econômico e percepção pública vai além da inflação. O estudo propõe cinco hipóteses para o abismo entre números e sensação de prosperidade, incluindo comparação com os primeiros governos e mudanças de aspiração.

Desempenho agregado e memória de consumo

O período 2003-2010 teve crescimento com redução da desigualdade, via salário mínimo elevado, transferência de renda e empregos formais. Já o início de Lula 3 mostrou queda mais lenta da desigualdade, com ganhos reais menores para as camadas mais pobres.

A memória de preços elevados persiste. Entre 2024 e 2026, a picanha subiu 12%, cortes populares subiram acima de 20%, e muitos consumidores sentem que a promessa de consumo não foi cumprida.

Inflação, preços e percepção

Embora a inflação anual tenha recuado de 12,1% em 2022 para 4,1% em 2026, os preços atuais não voltaram aos níveis de 2019. A experiência de custo de vida ainda é vista como alta por boa parte da população.

Estudos indicam que eleitores respondem ao nível de preços, não apenas à taxa de inflação. Mesmo com queda da inflação, o custo de itens básicos mantém-se elevado para muitos lares.

Fatores culturais e sociais

A análise aponta que redes sociais elevam padrões de aspiração de consumo, influenciando decisões e julgamentos sobre prosperidade. A transformação cultural também envolve uma geração escolarizada que percebe menos retorno social do diploma.

A hipótese indica que a acessibilidade não depende apenas de números, mas de expectativas de vida cotidiana e de consumo planejado. O balanço entre custo de vida e renda real é central para a avaliação pública.

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