Ao divulgar dados da PNAD divulgados pelo IBGE, a renda média do brasileiro atingiu novo patamar, mas a desigualdade segue em alta. A leitura é de que diferentes fontes de rendimento elevam a renda total, ainda que haja amplas diferenças entre grupos.
A professora de economia da FGV, Carla Beni, aponta que o ritmo atual de juros é um dos fatores que ampliam o abismo social. Segundo ela, a renda média de R$ 3.367 representa somas de trabalho, aposentadoria, benefícios, aluguéis, pensões e aplicações financeiras.
Para Beni, houve aumento de renda global, independentemente do estrato social, mas a distância entre ricos e pobres permanece grande. Ela afirma que a sociedade se desenha em dois grupos: quem gasta mais do que recebe e quem recebe mais do que gasta.
Desigualdade e juros
A pesquisadora destaca que o grupo com sobra de renda costuma investir no mercado financeiro. Com uma Selic de dois dígitos nos últimos anos, esse perfil obtém rendimentos expressivos, ainda mais com juros compostos. O efeito é amplificado para quem precisa de crédito.
Ela explica que, diante de empréstimos, o custo é alto para quem depende de crédito, elevando a desigualdade entre quem acessa crédito barato e quem não tem condições. Já quem tem aplicações financeiras beneficia-se de renda adicional pela taxa e pelo juro composto.
Outros fatores que acentuam a diferença passam pela escolaridade. Dados citados indicam que um trabalhador com ensino superior ganha em média quase 7 mil reais, ante pouco mais de 1,5 mil para quem não tem instrução.
A inflação de bens essenciais, como alimentação, atinge de modo mais severo as famílias mais pobres. O endividamento relacionado a jogos e apostas também é citado como problema crescente, com relatos de redução de consumo de comida por esse motivo.
Impactos sociais e regionais
A especialista ressalta que benefícios sociais contribuem para o mercado de trabalho formal: mais de 60% das vagas do ano anterior foram preenchidas por beneficiários do Bolsa Família. O BPC apresenta crescimento acima do esperado, com novas condições de elegibilidade e ações judiciais ampliando o acesso.
Quanto às variações regionais, Beni aponta que o Centro-Oeste aparece com maior renda média, principalmente por conta do Distrito Federal. Ela explica que a configuração regional se deve a servidores públicos, concursos e contratações na região, seguido por São Paulo e Rio Grande do Sul.
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