O Brasil enfrenta um desafio logístico sem precedentes no escoamento de grãos. A safra 2025/26 é recorde, com previsão de movimentar 356,3 milhões de toneladas, exigindo engenharia de suporte e revelando fragilidades operacionais.
O frete continua pressionado, impulsionado pela alta de diesel e pela dinâmica de estoques. A Conab aponta que a sobreposição de safras mantém a demanda por transporte elevada, mesmo com conclusão de parte da colheita em várias regiões.
A programação de envio aponta para Mato Grosso, Goiás e outras regiões do Centro-Oeste. A saturação de armazéns dificulta a abertura de espaço para o grão remanescente e favorece a rolagem de cargas para o milho de segunda safra.
Análise do cenário logístico
Regiões com colheitas precoces mostram alívio apenas superficial. Em Mato Grosso, a rota Sorriso-Santos reduziu o frete de R$ 520 para R$ 510 entre fevereiro e março, mas ainda fica 13% acima de 2025. O Vale do Araguaia registra alta de fretes.
Em Querência, Mato Grosso, fretes para portos como São Luís e Barcarena subiram entre 8% e 9,5% em 30 dias, com valores entre R$ 460 e R$ 520. A demanda segue alta diante da oferta limitada de caminhões.
Impactos por combustível e regiões
O diesel continua elevando custos: em Goiás, o Diesel S10 chegou a R$ 7,89 por litro, alta superior a 25% em 30 dias. A Conab alerta para possível inflexão de mercado se não houver realinhamento tarifário.
Catalão e Cristalina, cidades goianas, evidenciam risco de apagão logístico. Com 90% da colheita concluída, a carga disponível supera a frota, levando caminhoneiros autônomos a priorizar rotas mais rentáveis.
No Distrito Federal, fretes para Paranaguá e Santos subiram até 12% frente a fevereiro. No Nordeste, a Bahia registra alta de 18% no frete de Luís Eduardo Magalhães a Salvador, atingindo R$ 290 por tonelada.
Panorama regional e expectativas
No Maranhão, o escoamento do sul do estado para o Itaqui elevou custos com diesel, mantendo o reajuste de frete alto para produtores. O milho não encontra alívio imediato por conta da estrutura de custos.
Em Mato Grosso do do Sul, exportações acima de 1,2 milhão de toneladas em março mantêm a pressão por rotas de longo alcance para Sudeste e Sul. O cenário atual reforça a dependência de combustíveis e da eficiência logística.
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