O setor automotivo brasileiro completa 70 anos de fabricação de automóveis de passeio, desde 1956, com a Romi‑Isetta. Dados recentes mostram a evolução do mercado, impactos da eletrificação e mudanças de participação entre as montadoras.
Emplacamentos anuais de automóveis e comerciais leves ultrapassaram 2,5 milhões no último ano, ainda longe do recorde de 2012, quando passaram de 3,6 milhões. O avanço recente aponta recuperação moderada após crises anteriores.
Entre produção local e importados, o pico de veículos fabricados ocorreu em 2013, com 2,9 milhões. No ano passado, foram pouco mais de 2 milhões de veículos fabricados no Brasil, enquanto importados chegaram a quase 500 mil.
Emplacamentos por origem e perfil de mercado
Um índice baseado na população adulta aponta que as vendas de 2025 ficam próximas do patamar de 1979, ao considerar apenas a parcela com poder de compra e habilitação para dirigir. A trajetória reflete ciclos econômicos do país.
O formato das carrocerias mostra dominância de SUVs, ainda que muitos sejam hatches “bombados”. Quase 25% dos emplacamentos são hatches tradicionais e quase 20% são picapes. Sedãs caíram abaixo de 10%.
Participação das montadoras
A Volkswagen alcançou 17% do mercado em 2025, com histórica relevância desde os Fuscas e Kombis. A GM encerrou 2025 com 11%, menor participação desde o início da produção do Opala. Em 1989, a marca liderou com quase 30%.
A FCA, agrupando Fiat, Jeep, Ram e Dodge, detém 27% do mercado, segundo dados da Anfavea. Considerando apenas a Fiat, a participação fica em 21%. A Ford teve auge de 22% nos anos 1980, hoje representa 2%, com atuação apenas como importadora.
Tendências e rumo do mercado
As demais montadoras respondem por 43% do mercado. Em relação ao combustível, 75% dos emplacamentos são flex, apesar de variações históricas. Veículos elétricos e híbridos já superam modelos a diesel.
Veículos elétricos e híbridos somaram 11% do mercado no último ano, com BYD e GWM sozinhas respondendo por 53% desse segmento. Essas marcas já possuem produção local em fábricas que antes pertenciam a Ford e Mercedes‑Benz.
Panorama estratégico
A eletrificação gera mudanças de players, com maior peso de importações da China e aumento de produção local por novas marcas. O país encerrou o último ano com maior média de importação de automóveis chineses do que de todos os demais países somados.
O cenário aponta para uma das maiores transformações do mercado automotivo brasileiro nos próximos 10 anos, impulsionada pela eletrificação, novas regras e consolidação de players.
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