O mercado de trabalho brasileiro ainda penaliza mães, sobretudo as mães solo. Dados do eSocial, analisados pelo Ministério do Trabalho, indicam que mais de 380 mil mulheres foram desligadas até dois anos após a licença-maternidade. Em 2025, o MT recebeu 559 denúncias relacionadas à maternidade.
Apesar de avanços legais, as mães enfrentam discriminação velada. Em muitos casos, mudanças de projeto, menos oportunidades de liderança e menos visibilidade acontecem sem avisos formais, dificultando o retorno após a licença.
Contexto e impactos
Estudos da Fesa Group mostram que 59% das mulheres dizem ter a carreira impactada pela maternidade, e 60% relatam dificuldades por terem filhos. Esse cenário é ainda mais duro para mulheres negras, LGBTQIA+ e com deficiência.
Mães solo encaram uma realidade ainda mais brutal: sem rede de suporte, com renda menor e maior sobrecarga de cuidado, entre trabalho e responsabilidades domésticas. A parentalidade deixa de ser tema privado para exigir políticas públicas.
Desafios de infraestrutura
Embora haja debates no Congresso sobre licença-paternidade ampliada, parentalidade compartilhada e Política Nacional de Cuidado, a infraestrutura de suporte permanece insuficiente. Em 2024, apenas 41% das crianças até 3 anos estavam em creches, e quase 2,3 milhões ficaram sem vagas.
Pessoas em pesquisa apontam que a percepção pública é de maior dificuldade para quem tem filhos, mas o desafio real está no ambiente corporativo. A sensação de retorno desacelerado persiste, moldando decisões de carreira.
Necessidade de mudanças
Dados indicam que o problema não é apenas individual, e sim estrutural. A relação entre cuidado, liderança e remuneração exige intervenção pública e organizacional para reduzir barreiras. A cada passo, as mães, especialmente as solo, seguem buscando equidade no mercado.
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