O mercado global de agronegócio pode passar por uma transformação silenciosa com o avanço dos GLP-1, medicamentos que reduzem o apetite e elevam a saciedade. Em estudo da Cogo Inteligência em Agronegócio, esses fármacos devem redesenhar padrões de consumo, impactando sobretudo proteína animal, milho, farelo de soja e alimentos funcionais. A mudança é vista como estrutural, que vai além da indústria farmacêutica.
O relatório indica que, mesmo com queda no total de calorias, o efeito líquido para o setor tende a ser positivo. O Brasil surge em posição favorável por força de soja, milho, frango, bovinos e ingredientes proteicos, segundo a análise. A transição para dietas proteicas é apontada como motor de crescimento para o agro brasileiro no médio e longo prazo.
O estudo projeta aceleração global de dietas mais proteicas, com menor participação de ultraprocessados. Nos EUA, 18 milhões de pessoas já utilizam GLP-1, número que deve crescer até 2030 com a possível queda de patentes em 2026 e aumento de acesso com genéricos e biossimilares.
A disseminação dos medicamentos pode elevar o consumo de proteínas de alta densidade nutricional, reduzindo o volume de alimentos ultraprocessados. Entre os setores mais pressionados estão snacks ultraprocessados, refrigerantes, redes de fast food e cereais refinados.
Frango surge como principal beneficiário, pela combinação de baixo teor de gordura, boa proteína e preço, com expansão prevista em cortes porcionados e produtos prontos. O Brasil, maior exportador de frango, aparece como potencial receptor desse crescimento, com empresas nacionais ajustando portfólios.
Os ovos também aparecem entre os grandes vencedores, com expansão de demanda por versões premium e funcionais, incluindo ovos enriquecidos e snacks prontos para consumo. O relatório aponta maior valorização de proteínas na carne bovina, com foco em cortes especiais e produtos de conveniência.
Milho e farelo de soja ganham impulso por meio da demanda de ração animal, que representa parcela significativa na alimentação de aves e suínos. Em cenários de crescimento, o milho pode avançar entre 3% e 10%, e o farelo de soja entre 4% e 12%.
Além disso, o estudo destaca os Smart Foods, alimentos com maior saciedade, alto teor proteico e baixo índice glicêmico. Esses itens teriam margens superiores às commodities tradicionais, estimulando investimentos em proteína isolada de soja, laticínios funcionais e snacks saudáveis.
Nos Estados Unidos, o segmento de Smart Foods já cresce acima de 12% ao ano. A disseminação dos GLP-1 tende a acelerar esse ritmo, com potencial impacto a partir do Brasil conforme o acesso se amplia e as categorias se reinventam.
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