Abertis mantém resultado acima de 4 bilhões de euros em bruto, mesmo com o fim de grandes concessões na Espanha. ACS e Mundys sinalizam abertura para reforçar a parceria caso surgam oportunidades de crescimento que compensem a saída de ativos. O grupo analisa novos ativos no exterior para renovar seu portfólio.
A operação de 2018, quando Atlantis (agora Mundys), ACS e Hochtief lançaram oferta de 18 bilhões de euros pela controladora, foi o marco para a presença dos investidores na gestão das concessões de rodovias. Hoje, as empresas buscam consolidar resultados e manter dividendos estáveis.
Segundo o CEO da ACS, Juan Santamaría, a empresa continua buscando oportunidades de crescimento para Abertis e está disposta a aportar recursos adicionais, se necessário. A rede de rodovias tem avançado com renegociações de contratos e aquisições para manter o EBITDA acima de 4 bilhões, excluindo Sanef, cuja concessão expira em 2031.
O plano de renovação de ativos da Abertis inclui ampliar o prazo de concessões no México, com investimento de cerca de 1,2 bilhão de euros para estender o contrato da RCO de 22 para 41 anos, até 2067. Além disso, a empresa avança em novas concessões na França, Brasil, Chile e possivelmente EUA, Índia e Austrália.
No curto prazo, Abertis já reforçou participações em concessões estratégicas. Em março, subiu de 51% para 100% da autopista A-63 na França, e em novembro reforçou parte da BR-101/RJ Norte, no Rio de Janeiro, até 2047. Em Chile, integrou a Ruta 5 entre Santiago e Los Vilos.
Paralelamente, a ACS e Mundys vêm mantendo aportes diretos na controlada, incluindo a cessão de 1 bilhão de euros em dívida convertida em patrimônio em 2023, com novos aportes de 400 milhões em 2025. A operação paulista contemplou recentes desinvestimentos e reajustes de carteira para estabilizar o fluxo de caixa.
Abertis planeja apresentar, ainda neste ano, um novo plano estratégico para 2027-2029. O foco estará em construção e promoção de data centers, mineração de minerais críticos, infraestrutura de defesa e novas concessões de rodovias. A metas de longo prazo incluem ampliar a capitalização de mercado para cerca de 50 bilhões de euros até 2030.
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