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Conflito entre sócios da Azzas vai à Justiça

Azzas: Jatahy processa Birman; Justiça aponta arbitragem e debate governança, com risco de perdas de centenas de milhões

Na Azzas, o desconforto entre os sócios foi parar na Justiça
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Na Azzas 2154, o conflito entre sócios chegou à Justiça nesta terça. Roberto Jatahy processa Alexandre Birman por decisão sobre a unidade de roupa masculina, que envolve mais de 100 profissionais e consultorias. O processo corre em segredo de Justiça e o tribunal autorizou que o tema siga por via arbitral.

A origem remonta a cerca de um ano, quando Nicola Calicchio assumiu a presidência e propôs integrar as operações da AR&Co (marcas Reserva, Oficina, Reserva Go e Foxton) com o vestuário feminino do Grupo Soma, já parte da Arezzo e da Azzas. A ideia recebeu apoio de Birman, que liderava a transformação.

O projeto, batizado 021, contou com Jatahy e Ruy Kameyama, ex-CEO da BR Malls, na execução. Mais de 100 pessoas participaram, com contratos de consultorias e estimativas de sinergias de EBITDA de R$ 80 milhões neste ano e R$ 116 milhões para o próximo. Birman, porém, recuou.

Uma fonte próxima afirma que Birman decidiu desfazer a integração na véspera de reunião do conselho, após a saída de Kameyama. A cautelar questiona a decisão por não ter seguido os ritos de governança e por contrariar o dever fiduciário. Jatahy sustenta que a separação pode impactar centenas de milhões em valor.

Segundo relatos, a ação aponta ainda que desfazer as unidades geraria prejuízos operacionais e de mercado. A Azzas já enfrentou queda expressiva no valor de mercado e na cotação, com a ação recuando ao longo do dia. Hoje, o papel registrou baixa de 3,2%.

Do ponto de vista regulatório, Birman sustenta que a decisão está respaldada pelo estatuto da companhia, que atribui ao CEO a deliberação sobre esse tipo de tema. O acordo de acionistas também lhe garantiria esse poder por uma década, enquanto Jatahy comanda a unidade de vestuário feminino.

A disputa evidencia conflitos de governança na Azzas. O atual impasse envolve o futuro da área masculina e a influência de Birman sobre decisões estratégicas, alimentando questionamentos sobre o alinhamento entre interesses de acionistas e governança corporativa.

Disputa na governança e próximos passos

A guinada recente reforça tensões entre os principais acionistas. Birman é descrito por fontes próximas como uma figura autoritária, com histórico de turnover no senior management. A possibilidade de reorganizar a empresa em blocos permanece em debate, sem previsão de desfecho imediato.

O Brasil Journal reporta que, no longo prazo, a controvérsia pode exigir medidas adicionais de governança, incluindo potenciais ajustes no cap table. Enquanto isso, a diretoria segue sob pressão por manter a estratégia alinhada aos interesses da companhia e de seus acionistas.

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