O Banco Master investiu cerca de 614 milhões de reais em empresas do grupo Entre, ligado à produção de Dark Horse, o filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A apuração sustenta que o Grupo Entre foi utilizado para transferir 10 milhões de dólares de Daniel Vorcaro para um fundo ligado à família Bolsonaro e à produção do longa.
As informações aparecem em apurações da PF e do UOL, com base em documentos de investigação. A PF aponta que Antonio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, atuaria como operador financeiro da estrutura ligada a Vorcaro. A entender dos relatos, houve operações atípicas envolvendo o grupo Entre, com emissões de títulos e circulação de recursos entre fundos associados ao Master.
Entre as operações identificadas, destaca-se a emissão de 71 milhões de reais em títulos pela Entre Investimentos, que tiveram pagamento pelo Master com vencimento em 2025. Outra linha envolve a Entre Payments, que recebeu 213 milhões de reais do Fundo Máxima, além de 330 milhões em pagamentos de debêntures pelo Master.
Segundo o Intercept Brasil, haveria cerca de 10 milhões de dólares transferidos por estruturas ligadas a Vorcaro para um fundo ligado à produção do filme e à família Bolsonaro. O Senado Flávio Bolsonaro confirmou tratativas financeiras, mas negou irregularidades ou vantagens pessoais.
A produção de Dark Horse tornou-se foco das investigações após o aparecimento de áudios e mensagens em que Flávio cobrava pagamentos de Vorcaro. Ainda assim, a relação entre o Grupo Entre e o Banco Master antecede esse episódio.
Além das operações financeiras, o grupo participou de estratégias de expansão midiática de Vorcaro, incluindo a aquisição do site da revista IstoÉ. A PF e a CVM passaram a investigar as movimentações envolvendo empresas do grupo.
A Entre Investimentos também foi identificada como intermediária em operações ligadas ao Brazil Realty FII, que resultaram em prejuízos para fundos de previdência de servidores. Relatórios do Coaf apontam estimativas divergentes de ativos da Entre.
Segundo os levantamentos, a empresa declarou ter 316 milhões de reais aplicados em fundos geridos pela Reag Trust, mas o montante real estimado superaria 2,3 bilhões distribuídos em seis fundos. Controladores alegam que as informações são compatíveis com a lei.
Os órgãos de controle destacam que divergências patrimoniais podem dificultar o rastreamento de recursos e favorecer a ocultação de ativos. Em resposta, o Grupo Entre afirmou que as operações ocorrem dentro de parâmetros legais e regulatórios e que colaborará com as autoridades.
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