A percepção de que a renda é suficiente para pagar despesas essenciais iniciou março em queda. Apesar de sinais positivos no mercado de trabalho, como dados de desemprego do IBGE e contratações formais pelo Caged, a parcela que consegue arcar com alimentação, moradia, educação e saúde recuou.
Em março, 70,8% dos respondentes disseram ser suficiente para as despesas básicas. Em fevereiro, a média foi de 71,8% e, em janeiro, 72,4%. Os números integram a pesquisa Indicadores de Qualidade do Trabalho, da Sondagem de Mercado de Trabalho da FGV/Ibre.
A alimentação manteve-se como o item mais citado. Em março, 72,2% apontaram esse gasto como o mais relevante no orçamento familiar. Aluguel ou financiamento de moradia ficou com 46,5%, seguido de contas de serviços públicos, com 44,9%.
Para o economista do FGV/Ibre, Rodolpho Tobler, a segunda queda consecutiva na percepção de renda pode sinalizar o fim de uma tendência de alta. Ele aponta que o ritmo de evolução dos salários tende a desacelerar em 2026.
A nota técnica também destaca que a inflação, aliada a fatores como conflitos geopolíticos e alta do preço do petróleo, pode influenciar a percepção dos trabalhadores sobre a renda ao longo do ano. Acompanhar esses indicadores será essencial para entender a evolução do cenário.
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