O investimento de Joesley Batista na Avibrás, fabricante brasileira de armamentos, ganhou destaque em meio ao aquecimento do setor bélico no país. A Avibrás, que vinha em recuperação judicial desde 2022, retomou operações em São José dos Campos (SP) com a fábrica rebatizada como Avibrás Aeroco. O aporte de cerca de 300 milhões de reais amplia a capacidade de produção de mísseis e foguetes.
Diversos investidores, entre eles o bilionário Joesley Batista, aportaram recursos na Avibrás para sustentar a retomada de atividades. A empresa tem histórico de projetos estratégicos e atua no segmento aeroespacial, com foco em defesa. Procurada, a Avibrás não comentou o assunto.
Paralelamente, a Embraer fechou nesta semana o maior pedido internacional já recebido para o cargueiro C-390 Millennium, com os Emirados Árabes. O acordo reforça a posição brasileira na oferta de aeronaves militares de médio e grande porte.
Gastos militares globais seguem em ascensão. Segundo o SIPRI, o mundo gastou 2,887 trilhões de dólares em 2025, alta real de 2,9% e recorde histórico. O aumento representou 2,5% do PIB global. O Brasil liderou os gastos na América do Sul, com 13% a mais em 2025, totalizando 23,9 bilhões de dólares.
Na América do Sul, o Brasil ampliou também suas exportações de defesa. Em 2025, o país registrou um recorde de 3,1 bilhões de dólares em autorizações de exportação, aumento de 74% frente a 2024. O crescimento de 2025 ficou acima do registrado em 2023 e 2024.
Panorama de produção e exportação
A Base Industrial de Defesa (BID) atua com 80 empresas exportadoras em 140 países, respondendo por cerca de 3,5% do PIB e gerando próximo de 3 milhões de empregos diretos e indiretos. Os investimentos têm como foco desenvolvimento tecnológico naval, mísseis, aviões e fragatas, como a Tamandaré.
Especialistas destacam que o Brasil mantém vantagem de ser visto como fornecedor confiável e menos alinhado a blocos, o que favorece a exportação de armamentos. A demanda global por munições, aeronaves e sistemas de defesa sustenta o crescimento do setor, com perspectivas de expansão para anos seguintes.
Questionamentos sobre destinação final de armas persistem entre analistas. Países com regimes autoritários e áreas de conflito são apontados como destinos de exportações, gerando atenção de organizações de controle. Empresas brasileiras reiteram adesão a códigos de conduta para exportação.
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