A Vodafone Espanha acionou novamente o aparato judicial para tentar recompor o controle sobre a Wewi Mobile, empresa que opera sob a marca Finetwork. O movimento é o desfecho de uma disputa envolvendo a reestruturação promovida em 2025 e a posterior reversão pela Audiencia de Alicante, que devolveu a gestão aos fundadores.
A operadora apresentou um incidente de nulidade de actuaciones na Audiencia Provincial de Alicante. O objetivo é suspender a decisão anterior que permitiu a Vodafone ampliar sua participação na Wewi Mobile, após apontar suposta violação de direitos fundamentais durante o processo. As informações foram confirmadas por fontes próximas à Vodafone.
Enquanto tramita o recurso, a sede da Finetwork segue com atuação desidratada. Os sócios originais, que reassumiram a presidência do conselho, afirmam que a transferência de gestão não foi concluída, o que gera entraves operacionais segundo interlocutores ligados aos fundadores.
Origens do Conflito
A disputa tem raízes na deterioração da relação financeira entre Wewi Mobile e Vodafone em 2025. A operadora, que fornecia a rede para a Wewi como OMV, passou a capitalizar uma dívida resultante do aluguel da infraestrutura. Em setembro de 2025, um tribunal mercantil aprovou um plano de reestruturação que favoreceu Vodafone e afastou os fundadores.
A decisão acabou sendo revogada pela Audiencia Provincial de Alicante, que determinou a volta do antigo conselho e a restituição do controle. Apesar disso, a situação envolve outra complicação: desde abril de 2026, a Vodafone detém legalmente a marca Finetwork, o que cria assimetrias entre a carteira de clientes da Wewi e os direitos sobre o nome comercial.
Essa dualidade permite que a Vodafone utilize a marca de forma independente ou impeça seu uso pela Wewi. Tal cenário gera incerteza sobre a continuidade da marca e contribui para a migração de clientes, conforme relatos do setor.
Situação atual e próximos passos
O conselho restituído iniciou uma auditoria interna para mapear decisões durante o período de gestão pela Vodafone. Há indicativos de bloqueio de acesso a documentos críticos, segundo fontes próximas ao conselho. Entre as descobertas preliminares estão mudanças estruturais e o fechamento da sede principal em Elda, em Alicante.
Relatos apontam ainda transferências de parte da equipe para instalações da Vodafone durante o período de intervenção, além de revisões de cesses e nomeações em níveis intermediários. O caso permanece com impasse jurídico, já que, se o recurso for rejeitado, a via para a Vodafone seria o amparo ao Tribunal Constitucional para reverter o cenário.
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