O país enfrenta uma dualidade: demanda econômica e rejeição social. Em Portugal, cerca de 1,5 milhão de estrangeiros vivem no país, a maioria trabalhando em setores de serviços e agricultura. A presença migrante é considerada essencial para manter a atividade econômica, segundo especialistas.
Especialistas destacam que o sistema social depende das contribuições dos trabalhadores estrangeiros. Em 2024, aproximadamente 1,1 milhão de imigrantes contribuíram para a Previdência Social, com pagamentos chegando a 4,2 bilhões de euros, representando 14% do total das contribuições. O aumento é expressivo em uma década.
A maior parte dos imigrantes brasileiros atua no comércio, serviços de alimentação e transporte. Estudo da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (Aima), em parceria com o Observatório das Migrações, aponta que a força de trabalho estrangeira sustenta setores-chave da economia.
João Neves, economista, ressalta que a ausência de mão de obra externa causaria impactos significativos. Ele cita o turismo, que responde por uma parcela considerável do PIB, e a agricultura, que depende de trabalhadores sazonais para colheitas e exportação.
Para muitos imigrantes, a mudança de país representa condição de vida mais estável. Verônica Santos, que chegou há três meses a Leiria, vive a realidade de quem trabalha no setor de serviços e reconhece ganhos por comparação a oportunidades no Brasil, além de destacar questões de segurança pública.
Entretanto, o ambiente social em Portugal tem registrado episódios de xenofobia. Observadores afirmam que a retórica de partidos de extrema direita contribuiu para a construção de estereótipos negativos sobre estrangeiros, apesar de a economia não conseguir funcionar sem eles.
Estrutura e políticas de imigração
Analistas apontam falhas em políticas de integração criadas nos anos anteriores. A falta de um arcabouço de longo prazo dificulta a adaptação de imigrantes e pode ampliar tensões sociais, segundo especialistas consultados. Pesquisas indicam que regras atuais não garantem retorno de contribuições para quem retorna aos seus países de origem, mantidas pela Previdência Social portuguesa.
A visão de especialistas é compartilhada por docentes da área de economia, que defendem medidas consistentes de imigração de longo prazo. A ideia é equilibrar a necessidade econômica com estratégias de inclusão social, sem recorrer a medidas restritivas que agravem vulnerabilidades.
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