A América Latina permanece entre as regiões com maior complexidade para fazer negócios em 2026, segundo o Índice de Complexidade Empresarial Global (GBCI) da TMF Group. O estudo aponta fatores como incerteza regulatória e mudanças frequentes nas regras do jogo.
O relatório, que analisa 81 jurisdições com base em 292 indicadores de legislação, conformidade, normas contábeis, fiscais e recursos humanos, revela que seis países da região aparecem entre os 10 mais desafiadores globalmente. A precariedade regulatória é citada como principal entrave.
Cristhian Fresen, diretor regional para Colômbia, Equador e Venezuela, ressalta que a instabilidade política, associada à desigualdade social, agrava a percepção de risco para empresas. Ele aponta que mudanças de governo frequentemente elevam a incerteza, dificultando planejamentos de médio e longo prazo.
Países da América Latina entre os mais complexos
No ranking, o México figura em segundo lugar e o Brasil fica na terceira posição. A TMF destaca que alterações normativas recorrentes e exigências administrativas imprevisíveis dificultam a atuação de estrangeiros nesses mercados.
A Colômbia também aparece entre os dez mais complexos, por causas como medidas discricionárias da autoridade fiscal e requisitos pouco previsíveis. A lista mundial ainda inclui França e Turquia, além de Peru na posição mais baixa entre os dez.
Brasil, México e Colômbia concentram a atenção por representar ambientes com múltiplos níveis tributários, mudanças frequentes em normas e desafios de coordenação entre federal, estadual e municipal. A Venezuela aparece na 27ª posição.
No recorte regional, o Paraguai, Chile, Uruguai e Equador também aparecem entre os 30 primeiros. A Venezuela é citada como exemplo de mundo com mudanças constantes no ambiente regulatório, segundo o relatório.
Fatores regionais e caminhos para reduzir a complexidade
Especialistas indicam que o potencial da região é considerável, especialmente pelo tamanho do mercado, recursos naturais e crescimento de setores digital e energético. Contudo, a continuidade de políticas pode ser decisiva para melhorar o ambiente de negócios.
Entre as estratégias, destacam-se fortalecimento institucional, previsibilidade regulatória e melhoria de infraestrutura logística. A transformação digital e a educação estão entre as iniciativas sugeridas para elevar produtividade e competitividade.
A TMF também aponta redução da informalidade, maior confiança institucional e estabilidade tributária como pilares para atrair investimentos. Segundo Clara Inés Pardo, a previsibilidade é o principal desafio a ser superado pela região.
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