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Desenrola pode retomar relação entre renda e consumo e pressionar inflação

Novo Desenrola pode restabelecer a relação renda‑consumo, ampliando o gasto e pressionando a inflação no curto prazo, enquanto bancos mantêm cautela na concessão

(Foto: Pixabay)
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Em meio à inadimplência recorde, bancos estão mais cautelosos na concessão de crédito, o que desacopla renda e consumo. Especialistas, via Broadcast, avaliam que o Novo Desenrola pode recompor essa relação, ampliando a renda disponível e pressionando a inflação no curto prazo.

O programa reduz o peso da dívida na renda, aumentando a capacidade de pagamento e o poder de compra das famílias. Segundo Alexandre Albuquerque, da Moody’s Ratings, o impacto depende do conservadorismo das instituições: maior consumo ou mais empréstimos, conforme o risco aceito pelos bancos.

Luis Otavio Leal, da G5 Partners, aponta que a renda disponível já sinaliza incremento do consumo, e vê o Desenrola como desfavorável ao BC, por elevar pressões inflacionárias. O cenário, segundo ele, exige monitoramento constante.

Antes do Desenrola, a renda disponível bruta das famílias subiu 11,1% em março, após 9,5% em fevereiro, segundo Goldman Sachs. Alberto Ramos aponta que postura fiscal ativista mantém o hiato do produto positivo, o que sustenta a inflação de serviços e reduz a eficácia da política monetária.

O Copom, em seu relatório de abril, destaca riscos de alta por maior resiliência da inflação de serviços, em função do hiato do produto mais positivo. Assim, o comitê reforça a necessidade de vigilância sobre os impactos da continuidade da política monetária.

Para o Banco BV, o impacto inflacionário do Desenrola ainda não é plenamente percebido, já que o programa ainda não opera em pleno vigor. O economista-chefe Roberto Padovani cita conflitos entre objetivos fiscais e monetários, prevendo juros elevados por mais tempo.

Já no C6 Bank, Felipe Salles argumenta que, a curto prazo, fatores externos, como conflitos internacionais, câmbio e preços de commodities, devem influenciar mais a política monetária do que o programa. A instituição aposta em efeito contido do Desenrola.

Enquanto isso, a inadimplência continua em patamar alto: 82,8 milhões de pessoas aparecem com CPF em cadastros de proteção ao crédito em março, segundo a Serasa Experian. O cenário reflete o peso contínuo do crédito desconectado da renda.

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