Mordecai Kurz, economista da Stanford, afirma que o poder tecnológico está concentrando riqueza e influência cultural, erodindo a democracia. Em seu livro Privada Power and Democracy’s Decline, a ser lançado no dia 19 de maio, ele analisa o fenômeno como uma versão extrema de um padrão histórico.
Segundo Kurz, magnatas da tecnologia costumam se ver como agentes acima da política, moldando a sociedade. Ele compara o atual cenário a fases da Segunda Revolução Industrial, quando elites justificavam seu papel com teorias de evolução social.
Kurz aponta que grandes players de tecnologia, como Microsoft e OpenAI, costumam preferir cooperação entre si a competição aberta. O autor sustenta que a concentração monopólica cria incentivos para influenciar políticas públicas e a agenda regulatória.
O economista diz que o poder de lobbying dessas empresas é ampliar capacidades de pressão sobre autoridades, dificultando freios democráticos. Para ele, redes sociais, hoje pouco regulamentadas, amplificam polarização em benefício de receitas.
Ele também discute impactos da IA de forma ampla, prevendo deslocamento de empregos em várias áreas, não apenas para trabalhadores sem ensino superior, mas também profissionais como médicos e juristas, dependendo de avanços futuros.
Kurz sustenta que reformas históricas surgiram após consolidação acentuada de poder. Em seu livro, descreve um caminho possível para restauração da democracia por meio de políticas públicas que reorganizem riqueza gerada por monopólios.
Contexto histórico
O pesquisador relembra experiências do New Deal, que limitaram o poder de monopólio e proporcionaram proteção social. Segundo ele, reformas posteriores contribuíram para maior estabilidade econômica, ainda que tenham sido revertidas em etapas posteriores.
Proposta de agenda pública
Para Kurz, o governo deve taxar o acúmulo de riqueza decorrente de monopólios e redistribuí-la. Em educação, recursos públicos deveriam subsidiar a requalificação de trabalhadores deslocados por IA, bem como apoiar empresas que os empregarem.
Ele destaca que a tecnologia pode servir à melhoria da democracia se houver regulação eficaz. Em seu diagnóstico, é essencial que a inovação tecnológica não substitua o conjunto de trabalhadores nem ultrapasse barreiras legais.
Entre na conversa da comunidade