O ano de 2026 tem sido marcado por volatilidade intensa para investidores de ações de tecnologia. A Amazon chegou a registrar queda de 11% no acumulado até março, mas já vem recuperando e avança próximo de 20% no ano. A Alphabet, dona do Google, também caiu 13% até março e reagiu com alta superior a 20% desde então. Esses movimentos destacam a oscilação de prefirações entre grandes nomes do setor.
O cenário recente aponta extremos de pessimismo e otimismo em grupos específicos, principalmente software e semicondutores. O índice IGV, que reúne ações de software, recua cerca de 15% no ano. Em contraste, o SOX, referência para semicondutores, registra ganhos de mais de 60% em 2026. A leitura comum é de que investidores reagiram de forma intensa a narrativas de IA.
A narrativa dominante envolve uma expectativa de que a IA perturbará amplamente o setor de software, ao mesmo tempo em que elevará a demanda por chips e semicondutores. Esse duplo impulso sustenta movimentos opostos entre diferentes subgrupos e reforça o clima de “amor e ódio” no mercado sem focalizar empresas específicas.
Para os gestores profissionais, esse ambiente oferece oportunidades, desde que haja frieza e disciplina. O controle emocional é visto como parte essencial da gestão de investimentos, conforme relatos de profissionais que acompanham o mercado de tecnologia. A prudência dita o ritmo na hora de ajustar avaliações e posições.
Entre as oportunidades, destacam-se empresas de software com histórico de adaptação a ciclos de nuvem e mobilidade, que passam por valuations mais conservadores. O mesmo ocorre em setores adjacentes, como saúde e serviços financeiros ligados à tecnologia, que mostram margens de recuperação e atração de múltiplos mais moderados. No fim de 2025, a participação do setor saúde no S&P 500 atingiu o menor peso desde o início dos anos 90, sinalizando oportunidades de reprecificação.
Para quem busca aprofundar a análise, o caminho é estudar fundamentos, cenários de demanda e ciclos de tecnologia, sem se deixar levar pela euforia de curto prazo. A leitura de longo prazo ajuda a detectar quando a maré volta a subir ou descer, sem depender do humor do momento.
Thiago Kapulskis atua na gestão da estratégia de investimentos globais em empresas de tecnologia e é sócio do Global Tech Fund da São Pedro Capital.
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