O Ministério da Fazenda elevou a projeção da inflação medida pelo IPCA para 2026, de 3,7% para 4,5%, no teto da meta. Em 2027, a expectativa subiu de 3,0% para 3,5%. As informações constam no Boletim Macrofiscal da SPE.
A revisão reflete impactos do conflito no Oriente Médio sobre o petróleo e seus derivados. A SPE aponta que parte do aumento pode ser compensada pela valorização do real e por medidas para conter repasse de combustíveis no mercado doméstico.
A publicação confirma ainda que a projeção considera bandeira amarela para a energia elétrica em dezembro e fatores estruturais que afetam alimentos, como o ciclo do boi.
IPCA em 2026 e riscos de curto prazo
A SPE cita que o choque nas cotações internacionais do petróleo pressiona insumos industriais e custos de transporte, com desdobramentos para itens de alimentação. O cenário sugere inflação mais disseminada ao longo de 2026.
A previsão também leva em conta a provável elevação da taxa Selic ao longo do ano e uma taxa de câmbio mais valorizada. O efeito conjunto é visto como moderado pelas medidas governamentais.
Para 2027, o IPCA é revisado para cima para 3,5%, reflexo das defasagens de política monetária e da mudança de câmbio. A previsão aponta convergência à meta nos anos seguintes, até 2028-2030.
PIB e componentes da atividade
O Ministério manteve a projeção de crescimento do PIB em 2,3% para 2026 e 2,6% para 2027. As estimativas ficam acima das medianas do Focus, que apontavam menor dinamismo.
O desempenho da agropecuária ficou em 1,2% para 2026, com apoio de resultados da LSPA. A indústria deve crescer 2,2%, compensando parte do fraco desempenho da manufatura no início de 2026. Serviços devem avançar 2,4%.
A SPE aponta que, a partir de 2027, o ritmo de expansão deverá acelerar pouco, respaldado por reformas e pelo Plano de Transformação Ecológica. A projeção considera efeitos defasados de eventual queda da Selic.
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