A JGP Asset Management prevê que o Banco Central do Brasil interromperá o ciclo de cortes de juros já na próxima reunião do Copom, em junho. A justificativa é a pressão inflacionária disseminada e a desancoragem das expectativas para horizontes mais longos.
Segundo Fernando Rocha, sócio e economista-chefe da gestora, há mais riscos de alta para a inflação do que de baixa. Ele afirma que cortar juros neste ambiente pode comprometer a credibilidade do BC e abrir a impressão de que a meta de inflação não é 3%.
A inflação tem mostrado aceleração em itens variados, com efeitos de preço do petróleo e do conflito no Oriente Médio. Dados de abril apontam pressão de alimentos, bebidas e bens industriais, enquanto núcleos de inflação sinalizam rigidez de preços.
Pressões que pesam sobre o cenário
Rocha destaca sinais consistentes de inflação de serviços elevada e resiliente. Em relação às expectativas, a Fazenda elevou a previsão de inflação deste ano para 4,5% e o petróleo foi recalculado para US$ 91,25/barril.
A Focus também revisou para cima as projeções de inflação em 2026 e 2028. O economista aponta que o choque petrolífero alterou o horizonte relevante para a política monetária.
Rocha lembra que o IPCA já sinalizou impactos secundários do conflito, especialmente em itens de higiene e produtos químicos, ligados à pauta de fertilizantes e a cadeia de grãos. O risco principal, porém, permanece nos alimentos.
Apesar dasPressões, o BC indicou blindagem para manter distensão monetária, com reconhecida alta incerteza. A leitura da instituição aponta limitação de flexibilidade diante da inflação elevada e de expectativas em alta.
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