O Goldman Sachs acionou interesse em conversar com o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinicius Marques de Carvalho, o que tem causado preocupação entre os acionistas minoritários da Oncoclínicas. Em mensagens a que VEJA teve acesso, a advogada Maria Guido, do escritório Mattos Filho, que representa o Goldman no Brasil, sinaliza a intenção de dialogar com Otávio Yazbek, ex-diretor da CVM, sobre uma possível reunião com o chefe da CGU.
As mensagens também revelam que os minoritários apresentaram uma queixa formal à CGU contra condutas de técnicos da CVM, segundo uma notícia compartilhada por Yazbek. A queixa envolve a reestruturação societária que levou à saída do Goldman do capital da Oncoclínicas e a divulgação de que a gestora Centaurus Capital detinha quase 32% da empresa. Os minoritários afirmam que a operação violaria a cláusula de poison pill, que exige uma oferta pública de aquisição caso alguém detenha mais de 15% das ações.
Reações dos minoritários
A troca de mensagens gerou desconforto entre os acionistas minoritários, que questionam a estratégia de buscar a CGU para barrar o acesso às informações sobre a reestruturação, alegando que a CVM deveria fornecer os dados. Advogados da Abraicc, que representa os minoritários, dizem que manter o caso em sigilo pode esconder o que consideram uma caixa-preta.
Posicionamentos oficiais
O Mattos Filho e o Goldman Sachs não comentaram o caso. Otávio Yazbek reiterou, por meio de sua assessoria, que o contato com a CGU seria puramente acadêmico e profissional, e que qualquer audiência ocorreria conforme os trâmites legais. A assessoria também informou que não houve confirmação de agenda para uma reunião imediata. VEJA ressalta que a reportagem baseia-se em mensagens obtidas pela publicação.
Entre na conversa da comunidade