A manutenção conservadora dos reservatórios das hidrelétricas pode beneficiar o uso da água em diversos setores, afirma Adriano Pires, sócio-fundador do CBIE. Segundo ele, a irrigação pode representar entre 60% e 80% do uso dos reservatórios, variando conforme o ano, em contraste com 12% destinado à geração hidrelétrica.
O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), ligado ao Ministério de Minas e Energia, avalia mudanças no patamar de aversão ao risco na operação do sistema. O tema envolve a variável CVaR, que mede a probabilidade de escassez em cenários adversos e influencia o nível de água preservado e o despacho das térmicas.
O assunto ganhou histórico recente de debate após o adiamento da decisão, solicitado para o Ministério e para o Operador Nacional do Sistema (ONS) e a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). A meta é equilibrar segurança energética com impactos tarifários ao consumidor.
CVaR e preço da energia
Pires sustenta que manter o patamar atual, 15/40, assegura a segurança energética, porém elevaria os preços de curto prazo entre R$ 300 e R$ 350/MWh, afetando comercializadoras e os setores eólico e solar, expedidos pelo mercado spot.
Ele aponta que, sem um MRE com preços acessíveis para fontes intermitentes, quanto maior o custo no curto prazo, maior o impacto do curtailment — a suspensão de geração renovável necessária para o equilíbrio do sistema.
Se o CMSE alterar o fator de risco para 15/35 ou 15/30, os preços spot poderiam recuar para faixas entre R$ 180 e R$ 250/MWh, reduzindo o efeito negativo sobre o curtailment e as comercializadoras.
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