A Avla Seguros, a Galapagos Capital, a Tivio Capital e a fintech Marvin emitiram a primeira Letra de Risco de Seguro (LRS) efetivamente distribuída a investidores institucionais. O negócio soma 126 milhões de reais, com lastro em um contrato de seguro entre uma fabricante de eletrônicos e uma grande varejista. A operação inaugura um novo canal de captação para seguradoras.
A estrutura envolve uma sociedade seguradora de propósito específico (SSPE) que securitiza o risco. O dinheiro captado fica segregado para garantir a operação, e o investidor recebe o principal mais remuneração se o risco não ocorrer. Em caso de sinistro, recursos podem cobrir a perda.
A LRS foi estruturada pela Avla, com a Galapagos e a Tivio como âncoras. Ambas ficaram com mais da metade da oferta, reforçando a participação de ativos alternativos do setor. Executivos citados pelo Brazil Journal indicaram CDI + ~4,5% como referência de prêmio.
A Galapagos atua como resseguradora alternativa, organizando a operação e distribuindo o risco aos investidores. Roberto Takatsu, CEO da Galapagos, afirma que a empresa já realizou operações prévias, mas esta é a primeira distribuição efetiva a investidores externos.
A operação marca avanço no mercado de seguros no Brasil, ao transformar o risco de seguro em um ativo financeiro negociável. A tese envolve ampliar a capacidade de o mercado de seguros acessar capital diretamente, sem depender apenas de resseguradores tradicionais.
A Avla e a Galapagos já dependeram de estruturas anteriores; a nova emissão pode ampliar o pipeline de operações, com planos para explorar crédito, garantia, vida, planos de saúde, previdência e risco de longevidade. A iniciativa é comparável a estruturas de Insurance Linked Securities já consolidadas no exterior.
A demanda por mais capacidade de seguro de crédito motivou o movimento na Avla. A seguradora chilena mencionada aponta que clientes buscam maiores volumes, mas o acesso ao capital era limitado. A Tivio vê na LRS uma classe de ativo alternativo com retorno atrativo e menor volatilidade.
Globalmente, estruturas semelhantes, conhecidas como Insurance Linked Securities, já somam mais de US$ 60 bilhões, com foco principal em riscos catastróficos como furacões e terremotos. A diferença brasileira fica por conta da emissão voltada a custeio e crédito, com lastro em contratos comerciais.
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