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Caso Estrela: riscos digitais no setor de brinquedos, segundo analistas

Digital impõe risco ao setor de brinquedos; especialistas apontam que coexistência com o físico depende de adaptação e gestão de riscos

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Aumento do entretenimento digital afeta o setor de brinquedos físicos. Estrela e Xalingo citaram a competição com alternativas digitais entre os motivos para pedir recuperação judicial, sinalizando risco para o segmento e necessidade de atuação ampla. Especialistas ressaltam que o tema exige monitoramento de novas demandas.

A Estrela protocolou o pedido de recuperação judicial na quarta-feira, 20, na comarca de Três Pontas (MG). A empresa afirmou em fato relevante à CVM que a reestruturação financeira é necessária diante de custos de capital, crédito restrito e mudanças no comportamento de consumo, com maior competição de plataformas digitais. A companhia completa 89 anos em breve.

Segundo Priscila Mendes, pesquisadora da UFRB, a interação das crianças com o digital mudou consideravelmente, influenciando a demanda por brinquedos tradicionais. Ela aponta que o cenário não é um caminho sem volta, desde que haja equilíbrio entre experiências digitais e o brincar físico.

A Xalingo, também da lista de recuperações, citou a concorrência com conteúdos digitais entre as razões para buscar ajuste financeiro. Analistas indicam que o setor precisa acompanhar as transformações para evitar impactos mais amplos na operação e no desenvolvimento de produto.

Panorama do mercado

Dados da Abrinq mostram leve retração do faturamento do setor no Brasil após a pandemia, com o mercado registrando quedas próximas de 5% entre 2021 e 2025. Ainda assim, há expectativa de lançamentos recordes de produtos no país, mantendo o otimismo sobre o desempenho futuro.

Synésio da Costa, presidente da Abrinq, aponta que o avanço digital altera o comportamento de consumo, mas não encerra o papel do brinquedo tradicional. Segundo ele, as fábricas vêm buscando velocidade e adaptação para atender às novas demandas sem abandonar o brincar físico.

Patrícia Cotti, pesquisadora do Ibevar, destaca que a digitalização impõe transformação do varejo e dos modelos de produto. Ela recomenda adoção de formatos híbridos que combinem entretenimento digital e experiência física para sustentar o mercado.

Ri Happy, rede com quase 300 lojas, informou ao Estadão planos de ampliar a interação com o público por meio de iniciativas digitais. O CEO Thiago Rebello ressaltou que as lojas devem continuar como espaços de convivência, equipadas com brinquedotecas e atividades que complementem a compra com lazer presencial.

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