O Banco Central informou que a taxa de inadimplência brasileira subiu pelo sexto ano seguido, chegando a 4,1% em 2025. O avanço, de 1,2 ponto percentual frente a 2024, foi puxado por mudanças normativas e pelo maior volume de atrasos, especialmente no crédito rural. O índice indica a parcela de endividados dentro do universo de tomadores.
A inadimplência do crédito a pessoas jurídicas registrou aumento de 1,3 ponto percentual, o maior entre as linhas de crédito, enquanto o crédito a pessoas físicas subiu 2,1 p.p. O incremento ocorreu em meio a um ambiente de juros elevados e menor dinamismo de concessões.
Em 2025, o ritmo de crescimento do crédito diminuiu em todas as regiões do país, conforme dados do BC. O cenário acompanha a queda na atividade econômica, com a economia crescendo 2,3% no ano, frente a 2024.
Desempenho da economia em 2025
A indústria mostrou desaceleração, com retração na transformação e em eletricidade, água, esgoto e gestão de resíduos, além de menor avanço na construção. O setor de serviços teve expansão menor, com exceção de transportes e informação. A agropecuária registrou alta expressiva, impulsionada pela soja e pelo milho.
A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor da CNC aponta recorde: 80,4% das famílias estavam endividadas no mês de março. O indicador de inadimplência no país ficou em 29,6%, abaixo do pico de 30,5% atingido entre setembro e outubro de 2025.
Desenrola Brasil e impactos sociais
O governo criou o programa Desenrola Brasil em 2023 para renegociar dívidas de segmentos de maior vulnerabilidade. O foco foi pessoas com renda até dois salários mínimos ou cadastradas no CadÚnico.
Entre julho de 2023 e maio de 2024, a primeira fase renegociou dívidas de cerca de 15 milhões de pessoas, totalizando R$ 53,2 bilhões. Segundo o Ministério da Fazenda, a iniciativa contribuiu para reduzir 8,7% a inadimplência entre a população mais vulnerável.
As informações destacam o desafio persistente do endividamento no Brasil, mesmo com instrumentos públicos de renegociação e esforços para conter o consumo de crédito. As autoridades mantêm acompanhamento dos efeitos macroeconômicos e sociais.
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