A inflação das famílias com renda muito baixa acelerou para 0,92% em abril, puxada por alimentos, medicamentos e energia elétrica. Entre as famílias de renda alta, a taxa ficou em 0,24%. O levantamento é do Ipea e usa dados do IPCA, índice oficial do IBGE.
O índice dos mais pobres foi o maior entre as seis faixas de renda pesquisadas e avançou em relação a março, quando ficou em 0,85%. Já a inflação da renda alta desacelerou após o mesmo patamar no mês anterior.
Segundo o Ipea, os pesos de bens variam conforme a renda, pois as cestas são adaptadas a diferentes padrões de consumo. Alimentos voltaram a pressionar, com alta de 1,64% em abril, mas menor do que em março.
Fatores que pesam nos mais pobres
Além dos alimentos, a energia elétrica subiu 0,72% e os produtos farmacêuticos tiveram alta de 1,77%, impactando a cesta das famílias de renda muito baixa.
Para as demais faixas, houve alívio com alta menos pronunciada de combustíveis (1,8%), e quedas de ônibus urbano (-1,13%), transporte por aplicativo (-2,17%) e passagens aéreas (-14,45%).
Maria Andreia Lameiras, pesquisadora do Ipea, aponta que a inflação de alimentos ainda é significativa para os mais pobres, mas tende a perder força conforme a faixa de renda avança. Ela também destaca que a renda alta se beneficia de transportes mais baratos.
Cenário acumulado e perspectivas
No acumulado de janeiro a abril, a inflação varia: 2,66% para renda baixa e 2,44% para renda alta. Em 12 meses, a inflação da renda alta é de 4,95%, enquanto a renda muito baixa fica em 3,83%.
A pesquisadora aponta que os alimentos podem apresentar menor pressão nos meses seguintes, influenciados por sazonalidade da oferta. Também há expectativa de desaceleração de serviços, beneficiando as faixas mais altas.
Fonte: Ipea.
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