A vinicultura do DO Toro, famosa por suas vinhas antigas de Tempranillo, enfrenta um desafio não climático: subsídios para instalação de painéis solares em áreas agrícolas. A revelação foi feita em entrevista com Julio Rodriguez, diretor de vinha, e Jesús Jiménez, enólogo-chefe da Bodega Numanthia, realizada em Londres.
A região de Zamora, na Castela e Leão, abriga vinhas com vinhos intensos e longevos, como o Termanthia, produzido de parreiras ungrafted com cerca de 120 anos. Os proprietários estão optando por transformar parte do terreno em geração de energia, movidos por retornos financeiros mais atrativos.
O motivo principal é financeiro. A maioria dos proprietários não reside na área e prefere alugar o solo para parques solares. O rendimento prometido pode chegar a 2 mil euros por hectare em 20 anos, contra cerca de 700 euros por hectare com a venda de uvas.
Rodriguez afirmou que muitas vinhas, com mais de 200 anos, sobreviveram por produzirem vinhos de alta qualidade, mas há risco de dispersão patrimonial na região. Segundo ele, o patrimônio de Toro está se diluindo com o crescimento da energia solar sobre o campo.
O cenário também é descrito como devastador para a identidade vitivinícola local, com o surgimento de grandes áreas cobertas por estruturas de vidro negro. Toro tornou-se polo de geração de energia solar devido à elevada incidência solar.
Por fim, é ressaltado que novas políticas europeias e espanholas promovem usos mistos do solo, tentando conciliar usinas solares com atividades agrícolas.
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