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Vinícolas inglesas enfrentam geada severa

Geadas severas atingem vinhedos ingleses, elevando perdas e custos de proteção a cinco vezes o orçamento previsto, impactando safra e equipe

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O setor vitivinícola da Inglaterra enfrenta geadas severas que atingiram várias regiões nas últimas semanas, em plena fase de brotação. O impacto financeiro e humano ainda está sendo avaliado, com danos variando conforme a localização das vinhas.

Em Hampshire, a Black Chalk reporta custo elevado com geadas; o proprietário Jacob Leadley afirma que os gastos passaram do orçamento em cerca de cinco vezes, com noites de plantão exigidas pela equipe. A vinícola usa 12 proteções contra geadas e uma máquina que emite uma névoa protetora.

A equipe de Leadley também menciona os custos de propano e diesel, apontando que essas despesas cresceram nos últimos cinco anos. O gerente da vinha, America Brewer, de East Sussex, descreve o episódio recente como o mais significativo desde o plantio da propriedade.

Em East Sussex, a Oastbrook Estate relatou danos locais em áreas sem proteção, com algumas linhas de vinhas mais afetadas do que outras. A proprietária America Brewer destaca que algumas fileiras tiveram menos prejuízo, especialmente próximas a áreas com copas de árvores.

Para reduzir impactos, Oastbrook usa aquecedores infravermelhos, brasas e barreiras contra geada, resultados que, segundo Brewer, ajudam, mas não evitam totalmente os danos. Em Kent, o proprietário Henry Warde, da Squerryes, observa que a geada tem sido um dos maiores desafios desde 2017.

Mesmo com sprays protetivos, Squerryes reconhece que a geada afeta diferentes parcelas, e que a localização da vinha é crucial para proteção. Em parte da propriedade, a geada de 24 de abril atingiu áreas sem registro de danos desde 2006.

Estima-se que as novas brotações possam compensar parte da queda de rendimento prevista para a safra. Por outro lado, Stopham Vineyard, em West Sussex, investiu desde 2021 num sistema de pulverização Plantex, útil neste cenário, segundo a responsável comercial Marie Davies.

Davies relata que Simon Woodhead, diretor executivo e vinhateiro da Stopham, precisou acionar o sistema diversas noites, mas as vinhas foram consideradas em bom estado até o momento. Apesar de noites mais amenas recentemente, Davies frisa que ainda é preciso aguardar a conclusão de maio para ter confirmação da proteção.

Na Black Chalk, a localização no vale é citada como fator duplo: facilita a maturação no verão, mas aumenta a vulnerabilidade à geada na primavera. Leadley ressalta que a evolução dos frutos, aliada à acidez típica da Inglaterra, sustenta o estilo da vinícola.

A casa produz vinhos de expressão premium, como Paragon blanc de blancs e Inversion blanc de noirs, com safras recentes já disponíveis. O Paragon utiliza uma levedura aromática para valorizar as frutas, enquanto o Inversion emprega uvas Pinot Noir de clone Burgundy 777, cultivadas em solo calcário.

A equipe de Black Chalk destaca que ainda é incerto se a safra de 2026 cumprirá as metas de qualidade e quantidade. Em 2021, a vinícola redirecionou parte da produção para vinhos básicos devido a geadas, mas mantém o compromisso com vinhos de expressão vintage.

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