Nos últimos anos, carros chineses passaram de desconhecidos a protagonistas nas ruas e nas concessionárias brasileiras. Marcas como BYD, GAC e GWM ampliaram participação no mercado, intensificando a competição com montadoras tradicionais. A eletrificação e preços competitivos aparecem como motores dessa transformação.
Entre janeiro e abril deste ano, 125 mil dos 835 mil automóveis e comerciais leves emplacados no Brasil eram de marcas chinesas. As fabricantes da China respondem por 15% do mercado e por quase metade dos veículos leves importados vendidos no país. A expansão acompanha o crescimento da oferta de modelos elétricos e híbridos.
A invasão chinesa no varejo coincide com uma variedade de lançamentos. De 2025 para cá, marcas como Omoda, Jaecoo, MG Motor, Geely, Leapmotor, Jetour, Denza e Changan entraram no Brasil. A tendência deve superar este ano com novidades de Dongfeng, BAIC, Lynk & Co e Lepas.
Avanço e investimentos
A BYD tornou-se líder de emplacamentos entre pessoas físicas, aproximando-se de marcas tradicionais como Volkswagen, Fiat e GM. O Dolphin, lançado em 2023 por menos de 150 mil reais, ajudou a popularizar modelos elétricos. A Denza, parceria com a Mercedes-Benz, amplia o portfólio premium.
No ritmo de expansão, a GWM planeja ampliar fábrica em Iracemápolis (SP). A GAC anunciou investimento de cerca de 7 bilhões de reais para produção em Goiás, a partir de 2027. Leapmotor e Geely firmaram alianças com Stellantis e Renault para acelerar a capacidade no Brasil.
Desafios e cenário
As tarifas de importação de veículos eletrificados devem subir para 35% em julho, acelerando a decisão de produzir localmente. O Brasil, segundo analistas, deixa de ser apenas mercado consumidor para ocupar papel estratégico na estratégia chinesa de internacionalização automotiva.
Embora a chegada de marcas chinesas aumente a concorrência e eletrifique rapidamente o parque, especialistas ressaltam dúvidas sobre impactos na indústria de autopeças e na cadeia produtiva local. A conjuntura atual é monitorada por setores públicos e privados como teste à indústria nacional.
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