O Tesouro Direto ganha fôlego no Norte e no Nordeste, com crescimento de investidores acima da média. Entre 12 meses, o Norte avançou 15,7% e o Nordeste 15,4%, ante 11,7% do Sudeste, o menor entre as regiões. A média nacional ficou em 15,23%.
Em Rio Branco, Acre, a professora Ana Maria Barreto, 42 anos, trocou a poupança pelo Tesouro Selic, título mais simples do programa. Ela viu que é possível investir com pouco dinheiro e que o Tesouro Selic oferece liquidez para reserva de emergência.
Ainda em Acre, o crescimento local do Tesouro Direto chamou a atenção: o estado registrou alta de 17,1% no número de investidores no último ano, a segunda maior da região. Rondônia liderou o país, com 18,9% de expansão na base de investidores.
Na prática, o Estado de Juazeiro, na Bahia, mostra a experiência de empresários que migraram parte de seus recursos para o Tesouro IPCA+, buscando proteção contra inflação. O comerciante Francisco Arrais, 38 anos, diz ter buscado previsibilidade para o negócio.
A migração regional está cada vez mais acelerada. No Nordeste, a região ampliou a base de CPFs ativos no Tesouro Direto de 214 mil para mais de 482 mil em quatro anos, com a Paraíba registrando 17,2% de crescimento no último ano.
Segundo o Balanço do Tesouro Direto (BTD) de março de 2026, o Norte e o Nordeste apresentaram crescimento combinado de 125% em quatro anos, superando o ritmo nacional. A distribuição de investidores está se aproximando da demografia do país.
O secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, aponta que o crescimento também ocorre nas regiões tradicionalmente mais conectadas ao investimento, como o Sudeste. A tendência indica democratização do acesso a títulos públicos com aportes menores.
Especialistas ressaltam que o efeito não significa substituição de estados mais tradicionais, mas sim adesões mais fortes em regiões com menor base histórica de investidores. O movimento é explicado pela facilidade de acesso e pela atratividade dos títulos com baixos aportes.
Avaliações de pesquisadores sugerem que a popularidade do Tesouro Selic e dos títulos atrelados à inflação (IPCA) é reflexo da busca por segurança financeira. O público alvo atual tende a ser o pequeno poupador, com objetivos de médio a longo prazo.
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