A secretária da Fazenda, Débora Freire, afirmou à Folha que as medidas adotadas pelo governo Lula para conter a alta dos combustíveis foram decisivas para manter a inflação dentro da meta neste ano. Ela ressalta que tais ações ajudam o funcionamento do Banco Central, reduzindo a necessidade de elevar juros.
Freire, primeira mulher a chefiar a SPE, disse que o impacto dessas medidas já foi de 0,3 ponto percentual na inflação, ajudando a manter o IPCA próximo da meta, cujo teto é 4,5%. O valor foi calculado sem considerar o subsídio à gasolina, anunciado recentemente.
A SPE elevou a projeção de inflação deste ano de 3,7% para 4,5%, explicando que o choque no petróleo e o ambiente externo influenciam o cenário. Mesmo assim, a instituição acredita que a inflação ficará dentro da banda superior da meta.
Para o governo, há espaço para continuar o ciclo de cortes na taxa Selic, dada a posição fiscal e o cenário de juros restritos. A responsável diz que as medidas de mitigação ajudam a manter o ritmo de redução da taxa sem comprometer o fiscal.
Além disso, Freire ressaltou que as políticas de crédito implementadas visam setores específicos e a recuperação de renda, destacando linhas para renovação de frotas de caminhões e créditos para motoristas de aplicativo. O objetivo é evitar impactos sociais maiores com o aperto de juros.
Sobre a intervenção nos preços dos combustíveis, a secretária afirma que a atuação é necessária para suavizar o choque de oferta e proteger famílias, sem depender apenas da política monetária. O BC, segundo ela, continua avaliando cenários e prazos dos cortes.
A SPE também discute renegociação de dívidas rurais, apresentando uma proposta alternativa com ajustes em carência e prazos. Em relação ao teto do MEI e do Simples, Freire disse não haver discussão nesse momento.
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