Ao longo da trajetória no setor de saúde, Rogério Reis aponta um paradoxo: a maior parte dos recursos é gasta para tratar doenças que poderiam ser evitadas. A avaliação vale para o Brasil e para o mundo, conforme ele observa.
Dados recentes mostram o desafio: nos Estados Unidos, o gasto chega a 17,5% do PIB, sem refletir melhoria de qualidade. Na Europa, Suíça destina mais de 11% do PIB, com custos per capita acima de US$ 8 mil anuais. A maioria dos gastos envolve doenças crônicas evitáveis.
No Brasil, o gasto com saúde fica em torno de 9% do PIB, com a participação privada levemente maior que a pública. Os gastos com cuidados de longa duração devem crescer a partir de projeções da OCDE, em média 2,6% ao ano até 2050.
Contexto internacional
Especialistas ressaltam que o futuro da saúde depende de prevenção. O foco passa a ser evitar que procedimentos sejam necessários, e não apenas ampliar tratamentos. A gestão de custos envolve reduzir internações por meio de medidas preventivas.
Desafios locais e caminhos
Envelhecimento populacional intensifica a demanda por serviços. Países desenvolvidos, incluindo o Canadá, já enfrentam o desafio com doenças crônicas combinadas à idade avançada. O Brasil acompanha esse movimento e precisa de mudanças estruturais.
Transformação do papel do hospital
Hospitais devem atuar na coordenação, monitoramento e prevenção, não apenas no tratamento agudo. Modelos de acompanhamento contínuo e telemonitoramento reduzem internações e custos, segundo a visão italiana de progresso em saúde.
Redesenho da atenção à saúde
Cresce a adoção de modelos como hospital at home, com uso de tecnologia e atenção primária estruturada. O objetivo é liberar leitos para casos complexos e assegurar atuação especializada do hospital do futuro.
Suma de estratégias
Para a sustentabilidade, é preciso inverter incentivos, priorizando prevenção. Fortalecer a atenção primária, usar dados para identificar riscos e promover hábitos saudáveis são pilares destacados na proposta.
Consideração final
Segundo Rogério Reis, a maior eficiência não está em realizar mais procedimentos, e sim em evitar a necessidade deles. Essa visão orienta o caminho para um sistema de saúde mais eficiente e sustentável.
Rogério Reis é vice-presidente da Rede Américas.
Entre na conversa da comunidade