A floresta amazônica vive um aumento da mineração ilegal com foco em minerais críticos, usados em veículos elétricos e tecnologia militar. Garimpeiros recorrem a extração de terras raras e outros recursos, ampliando o crime ambiental na região. A Polícia Federal aponta que as operações ocorrem em escala quase industrial, não artesanal, e envolvem uma complexa cadeia de suprimento.
A PF, que atua na região, afirma que a demanda global por minerais críticos impulsiona o saque. Grandes empresas estariam, segundo autoridades, operando de forma ilegal para extrair bens raros que servem de base para ímãs potentes. Após extraídos, o material é vendido no mercado interno ou contrabandeado.
A nova fronteira do crime ocorre em meio ao interesse internacional pelo Brasil, que possui reservas relevantes. Países como Estados Unidos olham para o Brasil para reduzir a dependência da China no abastecimento desses recursos estratégicos.
Rotas, práticas e cadeia ilegal
Operadores utilizam rotas terrestres, fluviais e marítimas para transportar minerais, muitas vezes com certificados falsos de origem. Em alguns casos, não há mina real na área mostrada por imagens de satélite, configurando o que especialistas chamam de “mina fantasma”.
Além dos garimpeiros, empresas e indivíduos atuam como fachadas legais para o “lavar” do material. Servidores públicos já teriam emitido licenças sem avaliação ambiental, enquanto contrabandistas misturam carga com minério de ferro para facilitar a fiscalização.
Robert Muggah, pesquisador do Instituto Igarapé, afirma que sacos de material aparecem em barcaças sem confirmação sobre a natureza do conteúdo, dificultando a fiscalização. A fiscalização adota medidas para identificar a procedência dos minerais na cadeia.
Contexto, impactos e medidas
O Brasil guarda grande parte das reservas mundiais de terras-raras, além de nióbio, lítio e cobalto. A expansão da mineração ilegal pode comprometer metas de cadeia de abastecimento e de proteção ambiental, além de afetar povos tradicionais.
O governo analisa projetos de lei para melhorar a rastreabilidade, delimitar zonas de exploração e fortalecer a fiscalização. Também será criado um banco de dados de amostras que vincule minerais a locais específicos, visando coibir exportações ilegais.
A PF ressalta que o objetivo é desmantelar toda a cadeia criminosa, desde extração até exportação. A atuação busca reduzir impactos ambientais, proteger comunidades locais e melhorar a segurança jurídica do setor.
Entre na conversa da comunidade